26.02.2020 | 07h55


ESPORTES / EQUILIBRE-SE

Falta de ar ao correr? A causa pode estar nas suas cordas vocais

Quando os corredores não param e não permitem que as cordas vocais retomem o padrão normal da respiração, o DPV continuará até o fim do treino.



Todos conhecemos a sensação de aperto no peito e falta de ar após um intervalado puxado. Para alguns corredores, no entanto, esses sintomas começam a surgir muito depois do treino e até mesmo nas rodagens mais fáceis de recuperação.

Quando isso acontece, alguns médicos são rápidos em diagnosticar asma e prescrever inaladores e bombinhas. Como a doença geralmente vem acompanhada por alguma alergia, é comum também medicamentos e descansos fazerem parte da prescrição. Contudo, para alguns corredores, os sintomas não desaparecem. O que pode gerar muita frustração.

E se na verdade o problema for algo completamente diferente? Você pode estar com movimento paradoxal de pregas vocais (MPPV). Ou disfunção de pregas vocais (DPV), como também é conhecido. Veja como saber se sua falta de ar durante a corrida é MPPV e o que fazer.

O que é a disfunção de pregas vocais?

O DPV ocorre porque em vez de as cordas vocais se abrirem livremente durante a inalação, elas permanecem apertadas ou fechadas. É por isso que os corredores com o problema costumam chiar ao inspirar — ao contrário da asma, quando o chiado é frequentemente ouvido na expiração. Uma vez que o padrão natural de abertura e fechamento das cordas vocais se torna descoordenado, dificuldades no treino podem aparecer.

Embora a incidência de DPV na população continue sendo difícil de estimar (devido às dificuldades no diagnóstico), acredita-se que pelo menos 5% dos atletas de resistência experimentem a disfunção. E uma porcentagem ainda maior de amadores sofra com ela.

Mulheres e pessoas com QIs altos parecem ser mais suscetíveis que a população em geral. No público em geral, um estudo de Copenhague descobriu o problema em 7,5% dos participantes selecionados aleatoriamente.

Por que ela ocorre?

Atletas de endurance podem ter DPV porque o exercício é um gatilho para o surgimento dos sintomas. E a atividade prolongada estimula a má respiração. Quando os corredores não param e não permitem que as cordas vocais retomem o padrão normal da respiração, o DPV continuará até o fim do treino. Ao contrário de outros esportes, a corrida não permite que o corpo se recomponha. De modo que os efeitos da DPV podem ser piores para os corredores.

Além disso, o estresse físico e emocional pode exacerbar o distúrbio. Quando você está passando por um período prolongado de estresse, a maioria dos seus músculos fica mais tensa. Isso inclui os que envolvem o pescoço e os que rodeiam as cordas. Isso fará com que elas fiquem mais apertadas ou fechadas.

Outras causas são mudanças no clima (especialmente para o frio), alergias sazonais, asma e refluxo. Se o pescoço e os músculos próximos permanecerem tensos por muito tempo, a falta de ar vira uma constante nos seus treinos.

Como foi descoberta?

Observou-se que esse distúrbio ocorre com mais frequência em corredores que estão evoluindo. Seja lutando por uma bolsa de estudos, ingressando em alguma equipe mais profissional ou começando a dar um grande salto no desempenho. Quer eles sintam ou não, carregar uma pressão adicional pode resultar em tensão física e mudanças no corpo.

Como a DPV muitas vezes passa desapercebida, muita gente continua com ela e exacerba o problema. E aí, quando a falta de ar aparece, é comum surgir um sentimento de desespero, e a respiração fica ainda mais curta e superficial.

Todos esses fatores podem contribuir para um ciclo negativo na corrida e estresse emocional. Uma vez que um padrão é estabelecido, você pode trabalhar em alguns hábitos para amenizar a questão.











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