11.08.2019 | 07h00


REDES SOCIAIS

'Quanto mais compartilha, mais pobre você é intelectualmente', diz escritor

Para o escritor Eduardo Mahon, a falta de argumentos está relacionada à ausência de leitura: o cenário político reflete essa desqualificação


DA REDAÇÃO

Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2016,  apontou que 30% da população brasileira nunca comprou um livro. Para o escritor, membro da Academia Mato-Grossense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, Eduardo Mahon, a extrema portabilidade das plataformas está tomando o lugar do livro, porém a questão central é "nós perdemos a capacidade de ensinar alguém mais jovem a ler". Os hábitos cotidianos, como contar histórias para crianças, se alteraram.

Mahon alerta sobre a importância da leitura por meio dos livros convencionais, muita vezes substituídos pelo digital.

"O ato da leitura do papel, o ato de riscar o papel, de manipular, ter uma imediatividade material é percebido pelo cérebro de uma outra maneira". Ele destaca que determinadas ideias só podem ser formadas no papel.

Adepto das mídias sociais, observou que "quanto mais você compartilha nas mídias, mais pobre você é intelectualmente. Ou você não pode se expressar por uma questão profissional, assim eu respeito, mas a pessoa que só compartilha no Facebook, penso que é muito pobre,  quem é rica aproveita para dar sua opinião. Falta conteúdo". 

O escritor afirma que o padrão da leitura no Brasil é a desleitura política.

Mahon citou uma coletânea importante no Senado, cujo conteúdo não faz parte da leitura habitual de muitos políticos.

Contextualizando o projeto do aniversário de 300 anos da Capital, Mahon rememorou  a comemoração dos 200 anos de Cuiabá, liderada  pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, cujo coordenador geral do bicentenário foi Estevão de Mendonça. Na época, Dom Aquino Correa era governador e intelectual. Além destes, diversos imortais atuaram na espera política.

"Agora lhe pergunto, qual o político mato-grossense tem condições de entrar na Academia de Letras?", provoca. A sensibilidade em compreender a importância das obras e documentos contidos na Casa Barão de Melgaço está restrita aos pesquisadores e estudantes. 

 

Confira a entrevista na íntegra:

 











(3) COMENTÁRIOS

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benedito costa  29.04.18 10h18
O senhor que não compartilha não pra ver onde vai ficar.

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Jorge   23.04.18 21h47
A maioria da população brasileira são analfabetos funcionais, acham que sabendo ler e escrever são bons demais. Aí que as mídias evoluem e capta esse povo mecânico de conhecimento reprodutivo. Não criam conhecimento.

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Guga  23.04.18 09h45
Concordo.

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