22.05.2011 | 12h28


DIRETO AO PONTO

PSDB antes da guerra

A menos de uma semana da convenção nacional do PSDB, que se realizará no sábado que vem, o clima entre aecistas e serristas é o pior possível. Os tucanos brigam por tudo. Enquanto o nascente governo Dilma passa pela sua pior crise até aqui, com o seu virtual primeiro-ministro nu (mas rico) em praça pública, o PSDB se consome. Que tipo de entendimento os tucanos podem alcançar até o dia 28?

Nos últimos dias, Aécio Neves e sua turma deixaram patente que vão para convenção para tomar conta do partido. Aparentemente, têm votos de sobra para fazê-lo. A questão, porém, é como fazê-lo sem humilhar José Serra. Não é uma equação simples.
Os serristas reivindicaram, inicialmente, a presidência do partido. Não tiveram cacife. Desistiram. Foi o início da fricção neste processo que se arrasta desde o final do ano passado. Agora, os serristas ainda insistem em ficar com a importante secretaria-geral, onde alojariam Alberto Goldman. Os aecistas não abrem mão de manter o mineiro Rodrigo Castro no posto. No início da semana passada, Geraldo Alckimin lançou o nome de Serra para presidir o Instituto Teotônio Vilella. Numa manobra rápida, Sérgio Guerra lembrou que para o centro de pesquisas e estudos tucano o nome teria que ser o de Tasso Jereissati. Alckmin recuou e não se falou mais nisso.

Nenhum dos dois lados negociou de fato até agora. Aliás, registre-se que Aécio Neves e José Serra não tiveram uma mísera conversa a sós desde o fim do processo eleitoral do ano passado. Isso dá bem uma medida de como anda o clima entre os dois. Neste jogo de xadrez, FHC tem feito cara de paisagem. É uma postura que evidentemente não favorece José Serra.

Aécio pretende tomar conta do PSDB agora. Tem jogado até aqui mostrando que não quer abrir mão de nada de relevante no partido. O PSDB estaria, assim, definindo com três anos de antecedência seu candidato a presidência. É um passo importante, mas que não tem o poder de mandar Serra para o espaço. Serra pensa de fato numa terceria chance em 2014. E será sempre uma sombra poderosa para as ambições de Aécio. É só encomendar uma pesquisa de opinião pública nacional que isso será constatado.

Pela estratégia do grupo de Aécio a ideia é esticar a corda ao máximo e sentar-se à mesa de conversas na última hora. Em resumo, primeiro mostraram força. Depois, com o adversário enfraquecido, negocia-se. Ou seja, lá pelo meio da semana, por essa estratégia, abrirão-se as possibilidades reais de negociação.

Aí, sim, oferecerão alguns cargos como moeda de troca. Para Alberto Goldman estaria reservada a primeira vice-presidência. Outro serrista ficaria no comando da primeira-secretaria. Pensa-se também em ressuscitar uma ideia que circulou nas últimas semanas - a criação de um conselho político integrado pelas cabeças coroadas do partido: Aécio, Serra, Tasso, Sergio Guerra e, claro, FHC. Serra rechaça essa solução. Desdenha o conselho.

Ainda assim, nos próximos dias a posisbilidade voltará a ser discutida. Será levantada, claro, pelos aecistas. Estes são, pelo menos, os planos da turma do Aécio. É com essa linha e essa agulha que Aécio Neves tentará costurar um acordo. O maior desafio é fazê-lo sem esgarçar o fino tecido que ainda une o partido.

Por Lauro Jardim
REVISTA VEJA

 











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