16.10.2010 | 17h01


Hipocrisia abortiva

André Michells

É impressionante como o país seus os políticos são hipócritas quando assuntos polêmicos como aborto, homossexualismo e coisas do gênero são trazidos à tona.

Na campanha presidencial do segundo turno, em vez de vermos propostas boas das duas partes, estamos vendo apenas religiosos de plantão e gente hipócrita, além dos próprios candidatos, debaterem o tema aborto.

No horário político, nos jornais e outros meios só se fala em aborto, aborto, aborto. Como se ser contra ou a favor tornasse o sujeito ou a sujeita melhor ou pior administrador. Como se isso fosse mudar alguma coisa no país. Legalizado ou não, o fato é que muita gente faz e vai continuar fazendo.

Aborto ocorre por falta de educação, saúde pública de qualidade e por falta de segurança. Estes sim são temas que podem e devem mudar a história do nosso país, não uma discussão inócua como a que estamos assistindo há vários meses.

Com educação, saúde e segurança decentes, meninas de 12 anos não irão engravidar por falta de conhecimento sobre o tema. Mulheres não se deixarão engravidar por desconhecer métodos contraceptivos e não haverá tantos pais drogados, bêbados e violentos que estupram, engravidam suas próprias filhas e ficam impunes.

Essa deveria ser a discussão central e não se A ou B é contra ou a favor de aborto. Mais absurdo que aborto é uma menina de 12 anos ser obrigada a colocar um filho no mundo, porque um pai drogado a estuprou.

Mais absurdo que aborto é uma jovem ser obrigada a por um filho no planeta, porque um vagabundo maníaco a violentou e espancou, retirando-lhe até a última gota de dignidade. Mais absurdo que aborto é vermos instituições de abrigo para crianças e adolescentes cada vez mais cheias de meninos e meninas que sofreram todo tipo de abuso por parte de pais e mães viciados, bêbados e violentos. E pior, impunes.

Mais absurdo é vermos cada vez mais gente sem escrúpulos colocar filhos no mundo só para receber dinheiro do “Bolsa Família” que, apesar de ser um bom programa, gera um bando de gente folgada que usa os filhos para receber dinheiro do governo e comprar drogas, bebidas e cigarros. O leite das crianças? “Ah, não, é muito caro”! Este tipo de conduta já me fora relatada diversas vezes por assistentes sociais indignadas.

Não defendo aborto nem candidato A ou B. Longe disso. Apenas discordo da forma como o tema vem sendo conduzido e debatido. Discordo do oportunismo de políticos, de entidades e da falta de discernimento de camadas da população, que se deixam levar por um tipo de debate que serve apenas como cortina de fumaça para esconder os verdadeiros problemas que devem ser discutidos e enfrentados pelo país. Gente assim sofre de um tipo de aborto pior que o discutido na campanha, “sofre aborto de cérebro”.


André Michells é jornalista em Cuiabá

andre_michells@hotmail.com











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