22.05.2020 | 13h10


CORONAVÍRUS / PESQUISA COVID-19

Secretário aponta falta de comunicação, pesquisadores não qualificados e sem proteção

Gilberto Figueiredo enfatiza que prisões e apreensões dos materiais poderiam ter sido evitadas se tivesse ocorrido um comunicado oficial


DA REDAÇÃO

A secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso não foi informada sobre o início do estudo “Evolução da Prevalência de Infecção por covid-19”, coordenado pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas. A informação foi repassada pelo secretário da SES, Gilberto Figueiredo, em coletiva on line na manhã desta sexta-feira (22). O secretário diz que os problemas com prisões e apreensões dos materiais poderiam ter sido evitados se tivesse ocorrido um comunicado oficial. Disse que o Estado poderia até estar ajudando. 

Mas, além de não ter recebido o comunicado da pesquisa, o secretário destacou outros problemas que estariam ocorrendo. “Nem todos os envolvidos são profissionais qualificados, o que é uma falha muito grande, tanto quanto à falta de comunicação prévia. Além disso, estão atuando sem a devida proteção individual”, denunciou.

Na manhã desta quinta-feira (21), a Polícia Militar deteve um casal no bairro CPA 1, em Cuiabá. A PM foi acionada por moradores na rua Aricá para verificar a ocorrência de que o casal estaria realizando testes da covid-19.

A denunciante confirmou que o casal, em posse de um tablete, chegou a tirar foto dela para a pesquisa. Ela relatou que o homem e a mulher estariam realizando o teste com coleta de sangue. A mulher diz ter suspeitado da situação e, por isso, acionou a polícia.

A PM encontrou o casal, que não usava uniforme e nem equipamentos de proteção. O casal confirmou que estava realizando testes e apresentou um ofício da Universidade de Pelotas e o crachá do Ibope Inteligência, bem como o material da pesquisa. Os policiais falaram com o Ciosp se tinha ciência da pesquisa e como receberam a informação que não, o casal foi levado para a Central de Flagrantes. Uma supervisora da pesquisa foi até a Central de Flagrantes para liberar o casal.

Esse foi apenas mais um caso registrado em Mato Grosso. Também ocorreram detenções em Barra do Garças, Rondonópolis e Cáceres. Em todos os municípios os pesquisadores iniciaram os testes antes das secretarias de saúde serem avisadas.

O secretário Gilberto Figueiredo reforçou que a pesquisa não é do Estado e ponderou que o resultado tem validade para o dia que a pesquisa é feita, pois dois dias depois a realidade já será totalmente outra. Enfatizou que no Estado hoje há menos de 3% da população infectada e completou: “estou curioso para saber se essa pesquisa vai ter alguma resolutividade”.

A pesquisa ficou conhecida depois de prisões realizadas em diversos estados. O objetivo é testar 99.750 pessoas de 133 municípios de todas as regiões do país, que serão submetidas ao teste rápido (sorologia).

A eficiência do teste rápido também é muito questionada pelo próprio secretário de Saúde de Mato Grosso.











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