05.07.2020 | 16h40


CORONAVÍRUS / CORONAVÍRUS NO INVERNO

Especialista explica comportamento do vírus em mudança de clima

Embora Mato Grosso não tenha temperaturas muito baixas, nem mesmo nessa temporada do ano, os mato-grossenses já estão sentindo algumas ‘viradas do tempo’, o que influencia diretamente no sistema imunológico.


DA REDAÇÃO

O conversou com a infectologista Doutora Márcia Hueb sobre uma nova preocupação tem tomado os mato-grossenses, em relação ao coronavírus, que é o fato de o Brasil ter entrado no inverno no dia 20 de junho, estação em que as temperaturas tendem a cair e, possivelmente, favorecer a propagação da covid-19, além de acarretar um maior número de doentes pelo vírus da gripe de mais problemas respiratórios.

O medo se torna ainda maior quando a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulga um estudo que aponta que o número de infectados tem dobrado em Mato Grosso a cada 9 dias, e que se nenhuma medida eficaz para o combate à proliferação for tomada, o número de mortos em todo o Estado pode chegar a 1.180 até a próxima sexta-feira (10).

"Se outras doenças respiratórias ocorrem mais no frio, como gripes e resfriados, o importante que haja condições para diagnóstico e tratamento de todas elas”, disse a médica.

O caso fica ainda mais grave, e pode parecer um filme de terror, quando no último boletim epidemiológico a Secretaria de Saúde do Estado (SES-MT) anuncia que não há mais Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) disponíveis e pacientes em estado grave aguardam por uma vaga para ter a vida salva.

Já dentro da estação mais fria do ano, e embora Mato Grosso e principalmente a Capital não sofra muito com o ‘frio’, todos os moradores da região já estão sentindo as ‘viradas de tempo’,  que podem causar alterações no sistema imunológico, e ainda não sabemos o quanto isso vai influenciar na proliferação e transmissão do vírus, além da agressividade em que ele pode atacar o corpo, supostamente, mais ‘fraco’.

"Pessoas se agrupam mais e ficam em ambientes fechados, o que facilita a transmissão das doenças virais e também porque há modificações na árvore respiratória, por ação da baixa temperatura, como redução dos movimentos ciliares", observa a infectologista.

A infectologista Doutora Márcia Hueb explicou que: “em condições experimentais os coronavírus mostram preferir locais mais frios e secos para se proliferar, mas, na prática a doença não tem mostrado essa preferência. Chegou-se a discutir se no Brasil o comportamento da infecção seria diferente, por nossas características climáticas e nada disso se concretizou. Temos uma taxa de infecção igual dos países europeus que enfrentavam baixas temperaturas quando dos picos da doença”.

Marcia ressaltou que temperaturas mais baixas e secas contribuem para o aumento de doenças respiratórias em geral, como asma, bronquite, rinite e sinusite, entre outras, além do próprio coronavírus. E pacientes que já têm essas doenças como comorbidades devem redobrar os cuidados e se proteger para não aliar com a covid.

É importante salientar que Mato Grosso, assim como outros estados, sofre com queimadas regulares. Além de destruir a mata que gera oxigênio e limpa o ar, o fogo e a fumaça contribui para uma temperatura mais seca e de baixa umidade relativa do ar, muito propício para a proliferação de vários vírus e agravamento de quadros clínicos infecciosos.

No entanto, quanto à proliferação do novo coronavírus, assim como as demais doenças respiratórias, se deve ao fato de que as “pessoas se agrupam mais e ficam em ambientes fechados, o que facilita a transmissão das doenças virais e também porque há modificações na árvore respiratória, por ação da baixa temperatura, como redução dos movimentos ciliares, importante na proteção das células contra as doenças respiratórias”, ressaltou a infectologista.

 “É evidente que uma pessoa submetida a condições extremas pode ter sua imunidade afetada, porém, de modo geral não há risco de morte aumenta pelo frio, esse risco aumenta com a precariedade da assistência médica. Então, se outras doenças respiratórias ocorrem mais no frio, como gripes e resfriados, o importante que haja condições para diagnóstico e tratamento de todas elas”, finalizou a médica.











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