28.04.2020 | 13h50


CONEXÃO PODER / MÁFIA DO CORONAVÍRUS

Deputado denuncia testes, máscaras e respiradores falsos; PF investiga prefeitos

A denúncia feita ao Ministério da Justiça, Anvisa e Polícia Federal consiste em venda de materiais pirata que têm sido adquiridos tanto pela rede pública como privada em vários estados do Brasil.


DA REDAÇÃO

deputado federal Dr. Leonardo (SD), que também é médico, denunciou ao Ministério da Justiça, Polícia Federal e Anvisa uma máfia de pirataria de materiais de prevenção, equipamentos e testes usados para atendimentos relacionados ao coronavírus em todo o país. A denúncia foi feita há cerca de um mês e as investigações seguem em sigilo e apuram se há envolvimento de gestores.

Ao Conexão Poder, o deputado comentou que as grandes compras feitas pelas prefeituras de cidades pólo de Mato Grosso também são investigadas para saber se há alguma irregularidade.

“Isso inclui tudo. Desde máscara a respirador, teste rápido. Nesse momento as pessoas estão sem escrúpulos. Teve máscara apreendida que prometia ter três camadas e era só uma máscara dobrada no meio. Também estão copiando os números de selos da Anvisa (...) Os dados não batem e quando ligam para a empresa exportadora para saber da compra ela diz que não vendeu, que não autorizou. É pirataria”, relatou.

Os materiais falsos podem estar tanto na rede pública de saúde, como na rede privada.

Recentemente o Município de Rondonópolis teve prejuízo de cerca de R$ 4 milhões por comprar respiradores falsos de um representante do Tocantins.

“Existem várias situações. Existem produtos pirata feitos fora do Brasil aí é pirataria e contrabando e outros que vão ser de dentro do Brasil também, fazendo pirataria ou estelionato como por exemplo, vende o respirador igual o caso de Rondonópolis,  paga um valor X por respirador e o que eles vendem não é respirador nada. E aí o respirador pode ser de R$ 40 mil, R$ 70 mil ou R$ 170 mil, porque a promessa era de ter o compressor de oxigênio, aí você imagina a pancada, mais de R$ 3 milhões e os caras pegam uns monitores caco velho lá, gastam R$ 7 mil e cobram R$ 3 milhões. Então são várias responsabilidades que nesse momento tem que prestar muita atenção”, destacou o deputado.

Ao Conexão Poder, o parlamentar reforçou que a investigação apura se  há conivência de prefeitos, governadores e secretários, de onde houve compras de material pirata.

“A gente tem que ter atenção, temos que ficar em cima dos gestores, porque como é momento de crise, a dispensa de licitação acontece e aí pode o gestor ser vítima, como pode o gestor ser cúmplice”, observou.

Cerca de uma semana depois da denúncia ser oficializada a Polícia Civil de São Paulo prendeu 10 chineses que vendiam 15 mil testes rápidos de coronavírus que eles afirmaram serem furtados, o deputado contesta e afirma que os produtos eram falsos e a alegação de furto de carga seria para ter pena mais leve do que pirataria e contrabando. Prefeituras de Minas Gerais também adquiriram material pirata, o que está sob investigação, assim como aquisições feitas do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo ele, a facilidade de algumas prefeituras em adquirir equipamentos enquanto não havia quase nada disponível no mercado chamou a atenção e resultou em investigação.

Dr. Leonardo destacou que vinha acompanhando o desenrolar da investigação junto à chefia de gabinete do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, mas agora com a mudança no Ministério, não tem tido informações a respeito.











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