31.05.2020 | 08h03


CONEXÃO PODER / ANÁLISE

Briga de Mauro e Emanuel pode implodir candidaturas do DEM e MDB em Cuiabá

O cientista político, João Edisom pontua que, nessa briga, o eleitor pode pode apostar em outros nomes fora do DEM e do MDB nas eleições deste ano. "A população se enoja", diz.


DA REDAÇÃO

As divergências públicas entre o governador Mauro Mendes (DEM) e o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) têm fundo de motivação política, em ano de eleição, mas despertam a intolerância da população que pode escolher outra via, um terceiro candidato, que não represente nenhum dos dois para a Prefeitura de Cuiabá. Essa é a análise do cientista político, João Edisom, provocada pelo Conexão Poder.

“Na realidade é uma guerra fomentada pelo presidente Bolsonaro que acaba desaguando em vários municípios onde tem eleição e aonde tem um prefeito que vai à reeleição. Então boa parte das denúncias passa por aí. Mas dinheiro público é para ser fiscalizado. Eu quero mais é que os dois entrem na Justiça, verifiquem o que ocorreu porque não é uma brincadeira tem pessoas morrendo. O foco dessa briga está no coronavírus. O próprio secretário de saúde diz que deve dobrar em 15 dias o número de infectados que tem hoje; se dobra o número de pessoas dobra o número de mortes por dia. A briga em público só faz com a população atinja o grau máximo de entojamento de política. Do ponto de vista de quem é político, esse tipo de briga em público termina não agradando ninguém”, comenta.

O governo denunciou a prefeitura à Procuradoria-Geral da República, para que se apure atos ilícitos realizados com os R$ 41 milhões recebidos pelo município para o combate ao coronavírus sob a alegação de que há irregularidades na habilitação de leitos de UTI. Já o prefeito aponta motivação política e diz que vai representar criminalmente o governador no Superior Tribunal de Justiça (STJ), pela lei de contravenções penais e, se possível, pela Lei de Segurança Nacional. Ele afirma que o governador tem espalhado mentiras sobre as ações do município no enfrentamento à pandemia de covid-19 e agora terá que provar o que está falando na Justiça.

 Na análise, João Edisom ressalta que os gestores têm que deixar de “jogar para a plateia” e deixar que a fiscalização e o jurídico atuem.

“Então tem que sair do amadorismo de bate-boca, desse comício, numa hora que tem muita gente não podendo nem fazer velório de seus familiares e vir para uma realidade”, criticou.

O cientista político pontua que os dois podem ter razão, mas nessa briga a população pode perder e por isso pode apostar em outro nome nas eleições para o comando da Prefeitura de Cuiabá.

“As pessoas estão enjoadas, é possível que os candidatos que eles apoiarem, no caso de Emanuel não ser candidato, tenham uma rejeição em função de tudo isso. Porque enquanto eles brigam, nesse processo da vaidade,  pessoas estão morrendo e muitas pessoas estão fechando o comércio;  a economia em Cuiabá começa a sofrer a partir de junho um impacto muito grande, imagina em novembro ou dezembro se ocorrer a eleição”, observa.











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