27.07.2011 | 17h21


CIDADES

VLT ou BRT só com outra infraestrutura por Hélcio Corrêa

HELCIO CORREA GOMES  8h30

A reestruturação da mobilidade urbana da grande Cuiabá no titubeio entre VLT (Veículo Leve sobre Trilho) e BRT (Bus Rapid Transit) traz inquietação popular e apreensão técnica. O sistema modal está indefinido (ano 2011) indicando que aqui não se vai fazer bonito na Copa Mundial de 2014. Enfim, se dorme com definição de governo pelo VLT. Acorda-se com informação econômica de BRT. Eis a dura e triste realidade (ambígua).

No planejamento se deteve apenas em cima de mapas fotográficos de superfície. Dados apontam que para implantar o VLT, tem previsão de R$ 700 milhões. O custo do BRT seria de R$ 410 milhões. Ignora até o fato de que o sistema VLT demora no ritmo normal de obra civil quatro anos (no mínimo) para implantá-lo. O BRT menos, mas não inferior aos dois anos. Não se observa o elementar de engenharia. A infraestrutura e custos. Enfim, parece que se quer na infraestrutura antiga impor outra estrutura - pesada. Uma infraestrutura capaz de atender VLT custa, para retirada da antiga e construção da nova, algo em torno de R$ 3 bilhões. Tal custo alto decorre de causas nos piores trechos: córrego canalizado entre a Igreja São Benedito e rio Cuiabá. Avenida da FEB com sistema subterrâneo elétrico de alta tensão e escoamento aquífero fragilizado ao transporte pesado em cima. Enfim, tanto VLT com 45 toneladas e carregado com até 70 toneladas. BRT com chassis de 19 toneladas e carroceria e passageiros atingindo até 35 toneladas. Não passa cada sobre a infraestrutura atual sem danificá-la (severamente). Um na viagem inaugural e outro num tempo mediano evidencia possível desastre de proporção ilimitada.

Incrível que o gestor público de plantão não quis consultar engenheiro residente em Cuiabá, que trabalhou nas referidas obras de infraestrutura (antigas). Nem perdeu tempo na conferência de mapas de engenharia, que informam que o córrego (hoje esgoto) coberto foi canalizado com paredes, que não atendem aos novos padrões, e aberto no superior. Foi estaqueado na forma econômica e por fora para cobertura. Tudo constituindo infraestrutura que suporta andarinho em cima. Rodagem veicular de carga leve e evita a fedentina. Tomar a pista interna para VLT significa impor rachadura múltipla no sistema de base. Ao usuário, ferimento e morte já antevista. Tomar a pista rodante veicular oposta ao córrego alargando-a ou construindo outra ao transporte coletivo parece até ter custo operacional menor, mas depende de cálculo jurídico de desapropriações.

Na internet ,o modelo local pelo VLT trafega pela pista interna e paralela ao córrego. Ignorando a infraestrutura frágil. Traz apenas a facilidade visual da pirotecnia política desassociada da segurança. Há limitação visível de recursos disponibilizados e a conquistar. Trabalham na casa de milhões, quando seria preciso casa de bilhões. A própria alternativa de parceria público-privada não traz o óbvio - quem vai pagar pela caríssima infraestrutura? Tudo repete o defeito da licitação federal furada do Trem-Bala entre Rio e São Paulo.

Inadmissível acreditar que qualquer empresário sério ponha VLT para andar no preço risível e orçado. O quadro financeiro (se não sofrer alteração) não permite VLT ou BRT. No limite se pode ter para 2014 mais ônibus coletivos leves e melhor sistema de pontos para os usuários e formação do enorme inferno caótico no trânsito local.

Hélcio Corrêa Gomes é advogado e diretor tesoureiro da Aatramat e consultor da Comissão Nacional de Direitos Sociais da OAB Federal. Email: hélciocg@brturbo.com.br

 











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