23.08.2011 | 14h28


CIDADES

Suposto dono quer terreno de volta e 100 famílias podem ficar na rua

MAYARA MICHELS   12h50
DA REDAÇÃO

Cerca de 100 pessoas, entre elas, crianças adultos desempregados e idosos, correm o risco de ser despejadas, ainda hoje (23), de suas casas no bairro Jardim Gramado, em Cuiabá. Segundo os moradores, há seis meses encontraram o terreno e após pesquisas, não localizaram os proprietários, decidindo invadir os cerca de 800 m² de área.

Há seis dias, um oficial de justiça foi até o local e intimou os moradores a saírem das terras atá a última na sexta-feira (20). O prazo foi prorrogado para até está terça-feira (23), devido uma liminar conseguida na Justiça por duas advogadas.

De acordo com o presidente da Associação de Moradores do Bairro, Waldo Gomes Moraes, há documentos que comprovam que as terras não têm escrituras registradas em cartórios e nem na prefeitura. "Verificamos e não foi constatado nenhum proprietário, agora um grileiro aparece e quer tomar as terras de pessoas que tem uso capião já", disse Waldo.

No local foram construídas cerca de residências, entre elas barracos de madeira e de alvenaria. A diarista Maria Ribeiro, de 24 anos, casada e mãe de três filhos, contou ao RepórterMT que já gastou R$ 2 mil para iniciar a cosntrução da casa de alvenaria e que ainda faltam mais R$ 3 para concluir. "Eu e meu marido fizemos empréstimos, compramos apenas tijolos, areia e cimento, estamos construindo a casa pedindo favor aos outros, até comida não temos, almoçamos na casa dos vizinhos, estamos desempregados, o que será da gente se tiver que sair assim, e perder todo esse dinheiro", reclamou.

Já o charreteiro Patrik Augusto Gayva, que é casado e tem três filhos, acabou de perder a égua, que o ajudava a trabalhar. O animal morreu na semana passada e Patrik está há alguns dias sem o pouco dinheiro que ganha para comprar a comida da família. "Preciso de R$ 500 reais para comprar um cavalo para poder trabalhar, não tenho esse dinheiro, não tenho dinheiro para comer, e ainda tenho que pensar que posso ser despejado da noite pro dia", disse.

A principal revolta dos moradores é sobre uma casa construída em alvenaria em 1995. Uma família teve a autorização do suposto proprietário, Rísio Francisco Carvalho Leite, para ficar morando no local com a condição de "cuidar" das terras. Segundo o proprietário da residência, Gonçalo Siqueira, os seus pais, já falecidos, foram "contratados" pelo Rísio (suposto dono) para serem caseiros. "Em troca ele só recebeu um pedaço de terra onde construiu uma casa, só não pagava aluguel. Mas nunca recebeu um dinheiro ou se quer uma ajuda de custo para cuidar das terras", explicou Gonçalo.

Segundo Gonçalo, após a morte de sua mãe e a prisão do irmão Armindo Siqueira, Rísio teria ido até o local e expulsado sua família e a do irmão. Como não atenderam o pedido, Rísio entrou na Justiça querendo suas terras de volta e as casas destruídas. 

Gonçalo mostrou uma autorização feita por Rísio, no dia 6 de abril de 2002, onde autoriza o Armindo e Gonçalo, a ficarem morando em sua Chácara Recreio. Diz a autorização: Autorizo os senhores Armindo e Gonçalo Siqueira de Pontes, juntamente com sua mãe D. Maria da Conceição, a usarem a terra, assim como plantarem para ajudar em seus sustentos, como fazia seu falecido pai, até quando necessitarem, ou o proprietário ou seus herdeiros precisarem do imóvel".

Gonçalo Siqueira é eletricista, casado e com dois filhos, sabe que seus pais já tinham o poder do uso capião do terreno e está determinado, em não sair do local. Na manhã desta terça-feira, Rísio foi até o local acompanhado do oficial de justiça e, com deboches, dizia, segundo Gonçalo: "Vamos pegar as trochas e voltar para o buraco de onde cada um de vocês saíram".  "Cara você ainda não foi embora? Você é o primeiro que tem que sair daqui, anda logo", dizia Rísio a Gonçalo e sua família.

Segundo as advogadas da Associação dos moradores, a liminar caiu na mão do Desembargador Mariano Travassos, que segundo ele, afirmou que o caso não é de urgência e irá analisar no final da tarde. "Estava nas mãos do Travassos desde ontem, hoje redistribuímos o processo, e estamos aguardando em qual relator irá cair. Estamos na expectativa que essa liminar seja suspensa na tarde desta terça-feira ainda", explicou a advogada Rosemeri Rondon.

O presidente da Associação disse que o oficial de justiça cedeu mais um tempo e foi embora por volta das 9h nesta amanhã, deixando o celular para que caso a liminar fosse suspensa fosse avisado. "Caso as advogadas não consigam derrubar a liminar, no final de tarde, ou amanhã ele vem e com a ordem de despejo, não teremos outro prazo", disse o presidente.











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