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04.05.2011 | 12h53


CIDADES

Soldados da PM são obrigados a trabalhar como "voluntários" durante folga

MAYARA MICHELS
ANDRÉ MICHELLS

DA REDAÇÃO

Um grupo de policiais militares denunciou ao RepórterMT que há meses estão sendo obrigados a trabalhar em uma escala extra, em seus horários de folga, em um regime de quase escravidão. Segundo eles a ideia da PM é passar para a sociedade uma imagem de força policial atuante e com grande efetivo.

Os soldados, para não sofrer represálias, preferem não se identificar. Segundo eles o turno dos efetivos é de 24x48 horas. Nessas 48 horas, que seriam de folga, eles são obrigados a trabalhar por pelo menos mais 10 horas, como "voluntários". A intenção é evitar que policiais façam bicos. A hora trabalhada rende ao R$ 12,00 ao militar. O problema é que, a "verba extra" demora até três meses para sair.

Para entrar na escala, pelo que manda o regimento da PM, os soldados têm que assinar um termo autorizando a escalação no período de folga, mas muitos, segundo eles, estão sendo convocados mesmo sem assinar documento algum. As patrulhas estão sendo colocadas de forma estratégica pela PM nas esquinas das principais avenidas de Cuiabá.

Sempre há uma viatura e no mínimo três policiais. O RepórterMT conversou com uma dessas equipes que, por razões óbvias não pôde se identificar, apesar da insistência do coronel Zaqueu Barbosa, que comanda o CR1.

Os policiais colocam cones entre as faixas de rolamento e aplicam multas em motoristas que descumprem a lei, como falar ao celular dirigindo e deixar de usar o cinto de segurança. A situação, segundo eles, é desagradável, porque não podem sequer reclamar. "Eles nos escalam mesmo quando não somos voluntários e nos obrigam a trabalhar nessa farsa para enganar a população. Não tem efetivo e eles querem dar impressão de que tem" contou um dos PMs.

Os militares também reclamam do fardamento e da falta de capacitação na Polícia. Não há treinamento e, se quiserem fazer aulas de tiro, por exemplo, têm que comprar as balas. Quanto ao fardamento, eles dizem que são obrigados a comprar e pagar caro pelos uniformes, já que a PM fornece apenas o primeiro kit, quando os praças engajam na força. "Nestes dias de frio, a gente não tem agasalho adequado da PM, e se quiser se proteger tem que pagar uma fortuna pela blusa da polícia", comentou um soldado, que tremia de frio, no último dia 02 à noite.

O coronel Zaqueu não admite a versão dos soldados e garante que os policiais não são obrigados a fazer jornada extra. "O policial que quer ser voluntario, assina o papel no próprio Batalhão, dizendo que quer escalado na folga, mas o tempo não pode ultrapassar 50 horas, senão o policial não terá folga no mês," disse.

Zaqueu orienta que os policiais que se sentirem lesados devem procurar o Departamento Judiciário de Disciplina (DJD) ou o Comando da Polícia para que seja aberto um inquérito administrativo para apurar os fatos. "Se o comando de cada batalhão estiver obrigando o PM a fazer escala extra, mesmo sem que ele seja voluntário, vamos abrir processo administrativo contra o comandante", garantiu.

Sobre o recebimento das horas extras, o comandante confirmou que o prazo chega até três meses, já que não é paga junto ao salário do oficial para não haver descontos. "Após 30 dias é passado para o CR1 contabilizar, ai em um prazo de 15 dias para conferencia, caso precise de alguma alteração é encaminhado novamente para o batalhão, depois volta para o CR1, ai sim é pago. Não deixamos de pagar, só o processo que é demorado", afirmou.

Sobre o uniforme o comandante informou que está em fase de transição, pois serão trocados em breve. Zaqueu disse que quando o policial sai do curso de treinamento, recebe um kit com os fardamentos e se quiser novos, tem que adquirir. Já sobre a falta de capacitação e espaço para pratica de tiro, o coronel nega também. "Temos alguns estandes de tiro. O militar deve informar o comandante e agendar um horário para praticar, mas as munições não são disponibilizadas pela PM".

O comandante informou ainda que as balas só são fornecidas em treinos de instrução continuada, realizados pela polícia, de acordo com a percepção do comandante, que analisa se a equipe necessita de treinamentos ou não.

 











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