24.08.2011 | 18h30


CIDADES

"Dono" de área leva trator para destruir casas de famílias carentes

MAYARA MICHELS   16h25
DA REDAÇÃO

O suposto dono de um terreno de 800 m² localizado na rua Lixeira, do bairro Jardim Gramado, em Cuiabá, iniciou a expulsão das cerca de 100 famílias que ocuparam o local, pensando não a pertencer a ninguém. Ontem, ao RepórterMT, o suposto proprietário, Rísio Francisco Carvalho Leite, afirmou que o terreno é dele há mais de 15 anos, e esta amparado na Justiça para pedir a limpeza do espaço até amanhã (25).

O morador Patrique Augusto Gayva, Rísio ainda não provou ser dono da área. Até hoje ele nunca nos apresentou a escritura do terreno. Tem uma residência que ele vendeu há anos é ate hoje ele não deu a escritura para a mulher", disse o morador.

O oficial de Justiça, Antônio Jarbas, está há uma semana no local tentando negociar com os moradores para que todos saiam de forma amigável, sem a presença da polícia. Na manhã de hoje, um trator foi levado pelo proprietário, para destruir as casinhas. Três barracos de madeira foram desmontados.

Os moradores conversaram com Rísio e mais um dia para as famílias foi cedido. "Não posso esperar mais, amanhã venho com um caminhão para fazer a mudança de quem precisa. Quem tiver dinheiro na mão, aceito até negociar os lotes, fora isto, quero a terra de volta amanhã", disse Rísio. 

Para o presidente da Associação de Moradores do Bairro, Waldo Gomes Moraes, fica complicado as famílias correrem ao banco para tentar pegar um empréstimo e pagar pelo lote, sendo que ele não tem escritura e não comprova nada. "Não sabemos o que vamos fazer, realmente estamos de mãos atadas, pois metade dessas pessoas realmente não tem aonde ir, e não tem dinheiro, estão vivendo da ajuda de vizinhos", explicou Waldo.

As advogadas da Associação dos moradores informaram que a liminar está nas mãos do desembargador Mariano Travassos, desde segunda-feira (22). "Estamos aguardando a resposta do magistrado para saber se ele vai suspender a liminar de desapropriação. Caso não suspenda, entraremos com recurso", explicou a advogada Eliete Gonçalves.

Ela pede para que os moradores tenham calma e não se exaltem, pois todos tem filhos pequenos, e não têm para aonde ir", finalizou.

O RepórterMT tentou contato com os advogados de Rísio Francisco, mas não foram localizados. 

Saiba mais: Suposto dono quer terreno de volta e 100 famílias podem ficar na rua

 











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