27.12.2010 | 11h04


CIDADES

Quase metade dos cuiabanos falha na cama, diz pesquisa

HELSON FRANÇA
FOLHA DO ESTADO


Quase metade dos cuiabanos sofre de disfunção erétil (incapacidade de manter uma ereção do pênis); a doença atinge 48% dos homens da capital mato-grossense. O índice é superior a média nacional, que é de 44%, como aponta o levantamento realizado pela sociedade Brasileira de Urologia (SBU). A baixa procura junto à urologistas para tratar do problema, pode ser um dos fatores que explicam a elevada quantidade de cuiabanos com a doença.

São poucos os homens conscientizados sobre a importância do acompanhamento urológico. Apenas 23% deles fazem consultas regulares com profissionais da área, conforme a pesquisa.

O presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Modesto Jacobino, observa que a disfunção erétil tende a não ser vista como algo preocupante, ainda mais depois da revolução causada pelo surgimento das pílulas que mantém a ereção como o Viagra.

"As pílulas como Viagra, Cialis e Levitra são alternativas para resolver o problema imediatamente, porém, se usadas sempre, sem acompanhamento médico podem prejudicar a saúde do homem, pois ele tende a desenvolver uma espécie de dependência psíquica, não conseguindo ter relações sexuais caso não tome o remédio. Isso não é nada bom", revelou Modesto.

Com a dependência psíquica o desejo de tomar o medicamento transforma-se em necessidade, que se não satisfeita, pode levar a pessoa a um profundo estado de angústia ou depressão.

Casado há 12 anos, o comerciante Ricardo, 49 anos, quase viu seu casamento desmoronar por conta do uso compulsivo das pílulas que combatem a impotência sexual. Com bastante ressalvas para falar, ele conta que depois de sete anos de casamento começou a ter dificuldades em manter relações sexuais com a esposa.

"Não faltava desejo, o problema era que na hora ‘H' falhava, entende? A cada vez que isso acontecia eu ficava mais nervoso", relatou.

Com vergonha da situação achou melhor "resolver" o problema por conta própria e passou a tomar pílulas contra a disfunção sem prescrição médica. "Comprar não é problema, pouquíssimas são as farmácias ou drogarias que cobram receita. No começo foi ótimo, porém, após uns quatro meses, as coisas começaram a mudar".

Ele disse que a esposa não vinha mais conseguindo "acompanhar o ritmo" - uma pílula pode deixar o pênis ereto por várias horas - e incomodava constantemente, ao mesmo tempo que as brigas foram se tornando corriqueiras. "Eu custei a aceitar, mas ela me convenceu a procurar um urologista. Ele me disse que meu problema era decorrente de fatores emocionais causados por ansiedade e stress e que não precisava ser tratado com pílulas, pelo menos no início".

Algumas sessões de psicoterapia depois, em torno de três meses, a vida sexual do casal foi voltou a ser saudável.

Pesquisa

Os dados foram colhidos pela Sociedade Brasileira de Urologia durante a passagem da caravana do Movimento pela Saúde Masculina por 22 cidades brasileiras, entre 31 de março a 5 de setembro deste ano. Foram realizados ao todo 9.982 atendimentos.

A caravana esteve presente em Cuiabá por 3 dias, de 10 a 13 de junho, na praça da República e 515 homens foram entrevistados. A disfunção erétil caracteriza-se pela incapacidade de obter e manter ereção suficiente para "levar a cabo" o ato sexual.

Sem estímulo sexual o pênis permanece flácido ou relaxado. O problema acontece quando ocorre alguma falha durante o processo de ereção. Quando o "gatilho erótico" do cérebro é disparado por estímulos - cheiro, visão, som, toque ou memória - uma série de reações é desencadeada para que o pênis fique rígido.

Por meio de "mensagens" comandadas pelo cérebro, os corpos cavernosos do órgão genital masculino enchem-se de sangue - o que deixa o pênis ereto. As veias internas são comprimidas para evitar a saída de sangue. Qualquer problema nessa reação em cadeia pode culminar numa disfunção erétil.

Os tratamentos para a impotência são tão variados quanto as suas causas. A única coisa que todos têm em comum é que não podem ser feitos sem acompanhamento médico, sob o risco de piorar a situação, ou até de provocar estragos maiores. Para tratar da disfunção os procedimentos médicos mais utilizados são a psicoterapia, os dispositivos mecânicos externos, os medicamentos (que podem ser por via oral ou por injeções locais) e as cirurgias.

 











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