25.05.2011 | 10h39


CIDADES

Polêmico "Kit Gay" do MEC pode atingir 724 escolas em MT

INARA FONSECA   11h40
DA REDAÇÃO

Depois de ser alvo de furioso debate entre deputados da Câmara Federal, o polêmico conjunto de material didático destinado a combater a homofobia continua causando alvoroço na sociedade. Batizado de "kit gay", o material tem sido foco das principais discussões entre pais e educadores preocupados com a possível exposição precoce das crianças a temas de caráter sexual. Se publicado pelo Ministério da Educação (MEC), o kit trará uma cartilha e três vídeos com mensagens anti-homofobia. Em Cuiabá, 724 escolas públicas da rede estadual podem ser atingidas.

Segundo a psicopedagoga Roberta Coelho, que atua há oito anos na formação de professores e assessora escolas em Mato Grosso, se inserido numa faixa etária desapropriada o manual pode contribuir pra confusões sexuais na juventude. "Se colocado no ensino infantil e no fundamental I (atual 5° ano e antiga 4ª série), a exposição à sexualidade será muito precoce e pode trazer conseqüências", afirmou.

Para Claúdia Ferreira, coordenadora do Centro de Referência GLBT de Combate a Homofobia, o material proposto pelo MEC não trata de maneira ofensiva a sexualidade, mas estimula o respeito à diferença. "Ainda que seja inserido no ensino fundamental, jamais será de uma maneira pejorativa. Além do que, as crianças são desde muito expostas a questões sexuais. Quem não tem alguém da família gay?", questionou.

Cláudia Ferreira ainda apontou que o trabalho contra qualquer tipo de preconceito deve ser iniciado ainda na infância. "Ninguém nasce preconceituoso, se aprende ao longo do tempo a ser preconceituoso", explicou.

Outro ponto controverso é a falta de discussão do projeto entre os profissionais da educação. De acordo com Roberta Coelho, o kit não agrada a maioria dos professores. "Estive dia desses em Nova Mutum e Jaciara e o questionamento era o mesmo: quando o MEC vai pedir a opinião dos professores? A educação preza por trabalhos que respeitem a diferença, mas deve haver maior discussão" afirmou.

De acordo com Claúdia Ferreira, o kit não foi feito de forma aleatório e o MEC vem discutido o material no Estado desde 2008.

Em Mato Grosso, a Secretária de Educação (Seduc), através de convênio entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), capacitou 800 professores para trabalhar a questão de gênero e diversidade nas escolas públicas do Estado.

A elaboração do kit é uma das ações do Programa Brasil sem Homofobia, lançado pelo governo federal em 2004. Seu conteúdo foi definido pela UNESCO e ONGs, a pedido do MEC, e é resultado dos altos índices de espancamento sofridos nas escolas públicas por jovens homossexuais.

Páginas da vida

Enquanto profissionais e governo debatem, o kit gay repercute também nas famílias. Luiza Santos, mãe de Mariana Santos, de 10 anos, afirmou ter ficado horrorizada com os vídeos veiculados na internet. "Quase chorei quando vi a cena do menininho olhando para o banheiro e dizendo que entraria no feminino. Os vídeos são uma exposição muito grande a sexualidade, muito apelativo. Se minha filha estudasse em um local que distribuísse essa cartilha, tiraria ela da escola na hora", disse indignada.

Já Rose Curvo, mão de Lucas de 6 anos, é favor do debate contra homofobia nas escolas, mas contra a exposição sexual das crianças. "Acho necessário inserir a discussão contra a homofobia. Não será o kit que influenciará a opção sexual de ninguém, mas não gosto da sexualização tão precoce. As crianças não deveriam ser expostas a questões sexuais de qualquer tipo. Por que não fazer palestras com adolescentes mostrando que a homossexualidade é normal?", afirmou.

No início desta semana, o ministro da educação Fernando Haddad afirmou que os vídeos divulgados na internet não são oficiais e o material ainda está em análise.

Seduc

A Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso (Seduc) afirmou que se aprovado pelo MEC, o kit gay será repassado apenas para os profissionais da educação através da formação continuada, não sendo enviado para os estudantes de forma direta.

Confira um dos vídeos, ao lado, na TV Repórter

 











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