15.08.2011 | 13h26


CIDADES

Periferia sofre com falta de estrutura para atender usuários de drogas

FERNANDA LEITE 8h38
DA REDAÇÃO

Os moradores do bairro São Mateus, em Cuiabá, estão revoltados com a falta de estrutura física e de recursos humanos dos serviços públicos de saúde destinados aos dependentes químicos da região. O Estado deve implantar nos próximos meses um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), que deverá ser instalado no Jardim Europa, bairro vizinho, os moradores não aceitam a ideia e alegam ser uma estrutura inferior a realidade do número de dependentes químicos no bairro.

O Ministério Público Estadual (MPE), por meio da promotoria da Defesa da Cidadania da Capital, promotor Alexandre de Matos Guedes, que ouviu os moradores, criticou as falhas para atender à demanda.

"O MPE é fiscal da qualidade do serviço público e é nosso dever ouvir a população para saber como estão sendo prestados os atendimentos nessa área. A questão do vício é um problema sério em qualquer comunidade e sabemos que o serviço ofertado pelo poder público tem muitas falhas e não atende a demanda", argumentou.

Durante a audiência, a presidente do Clube de Mães do Bairro São Mateus, Raimunda Cavalcanti dos Santos, relatou que as drogas já trouxeram muita tristeza para sua família. Há 10 anos, seu filho de 28 anos, é dependente químico.

"Precisamos muito de ajuda porque não dá para viver desse jeito. Já procurei o Sistema Único de Saúde, Policlínicas e nada foi feito. Toda a família sofre com o vício do meu filho", disse ela.

A presidente da Associação dos Moradores do Jardim Europa e vice-presidente do Conselho Estadual de Segurança Pública, Rosa Barbosa, disse que a população carente sofre mais com a dependência de seus familiares. O lugar mais barato para internar um usuário cobra um 'sacolão' ou um salário mínimo e a maioria dos pais não tem como tratar os seus filhos porque não tem condição. Não podemos contar com os serviços públicos porque não oferecem condições de tratamento para essas pessoas".

Os moradores alegam também falta investimentos na área de esporte, posto de saúde, creche e Conselho Tutelar. "Vamos dar encaminhamento a todos os pedidos que foram feitos pela comunidade desses bairros para tentar solucionar essas questões, principalmente as mais urgentes", prometeu o promotor.


 











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