17.05.2011 | 12h49


CIDADES

Parentes das vítimas em MT discordam de "condenação"

SONOTÍCIAS  11h40

Um grupo de familiares das vítimas do acidente com Boeing da Gol, que caiu no Nortão, em 2006, deixando 154 mortos, criticou a decisão do juiz federal em Sinop, Murilo Mendes, de converter a pena dos pilotos Joseph Lepore e Jan Paladino a serviços comunitários para instituições brasileiras nos Estados Unidos (onde ambos residem).

De acordo com a assessoria de imprensa do grupo, todos estão "decepcionados e revoltados" com o resultado. O portal Terra informa que Rosane Gutjhar, viúva de uma das vítimas, declara que a justiça não foi feita com a sentença. "Os pilotos vêm ao Brasil, são responsáveis pela morte de 154 pessoas, inclusive do meu marido, e saem ilesos, pois vão cumprir pena comunitária em uma instituição brasileira nos Estados Unidos", expôs.

Para o advogado assistente do Ministério Público Federal, Dante D"Aquino, "por todas as provas apresentadas, nós esperávamos a condenação total, com a pena máxima em regime fechado. Apesar de a pena ser alta, nada adianta substituí-la por serviços comunitários prestados no seu país de origem", afirmou.

Os pilotos ou os familiares têm 5 dias para apresentarem recurso e mais 8 dias para as justificativas e argumentos. Se houver recurso, será analisado pelo Tribunal Regional Federal, em Brasília.

Conforme Só Notícias já informou, a sentença do juiz Murilo Mendes foi divulgada, ontem, no início da noite. Ele também condenou os pilotos a não exerceram a profissão durante o período da condenação. Atualmente, um trabalha para uma companha aérea e, outro, para a mesma empresa de táxi aérea. Murilo se baseou na legislação brasileira para converter a pena e considerou que os pilotos eram réus primários.

O magistrado decidiu que "as consequências do crime foram gravíssimas", aponta que os pilotos ficaram cerca de uma hora sem verificar o painel do jato, sem fazer "as checagens necessárias" e "sem exercer com diligência a função de monitoramento da aeronave". Lepore e Paladino não checaram, por exemplo, o equipamento anti colisão. O juiz considerou que o tempo sem conferir os equipamentos é suficiente para "percorrer a extensão de um país". "Uma hora na aviação é tempo de uma eternidade". Ele sentencia também que "a culpabilidade foi além do que seria normal e, se é que não se pode considerá-la gravíssima, não há exagero algum reputá-la grave". O magistrado também destaca a imensa dor sofrida pelos familiares dos 154 passageiros e tribulantes mortos, que estavam no boeing. "Não me sinto confortável para fazer considerações maiores sobre a dor dos familiares" e expressa "extremo respeito pelo sentimento de todos".

A sentença do magistrado saiu poucas semanas após os americanos prestarem depoimentos, por vídeo-conferência.

Brasil

A AFAV (Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 1907) reagiu com revolta e desapontamento à decisão do juiz federal Murilo Mendes, que condenou os pilotos americanos do Legacy. A pena aplicada a Joe Lepore e Jan Paul Paladino foi de quatro anos e quatro meses de prisão, em regime semiaberto, por crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo nacional.

O juiz entendeu que os pilotos foram negligentes ao não perceberem as falhas de funcionamento do transponder (equipamento da aeronave que informa localização, altitude e velocidade) e do sistema anticolisão.

Angelita de Marchi, presidente da associação, tinha uma expectativa diferente sobre o resultado: "A Justiça foi muito branda na pena aplicada, que não condiz com uma condenação a pessoas responsáveis pela morte de 154 pessoas", analisa.

Para Marchi, deve ter havido grande pressão dos Estados Unidos sobre a Justiça brasileira: "Com todas as provas, ficou muito claro o que aconteceu e era inevitável a condenação. Houve muita pressão para que a pena fosse abrandada".

"Quando um brasileiro, ou outro cidadão que não é americano, comete um crime nos Estados Unidos, as penas aplicadas são sempre as máximas pedidas, ou até superiores", disse Marchi.

A decisão do juiz Murilo Mendes recomenda, inclusive, que a pena aplicada aos pilotos seja convertida em medidas restritivas de direitos. Ou seja, os réus serão condenados, na prática, a prestar serviços comunitários em entidades brasileiras nos Estados Unidos, além de serem impedidos de voar novamente.

A presidente da AFAV criticou essa conversão da pena e disse que vai recorrer da decisão: "É ridículo que pessoas responsáveis pela morte de 154 pessoas sejam condenadas a trabalhos sociais", concluiu.

Histórico

O acidente com o voo 1907 da Gol aconteceu no dia 29 de setembro de 2006, quando o Boeing da companhia brasileira se chocou com o jato Legacy, deixando 154 mortos.

O avião da Gol decolou de Manaus com destino ao Rio de Janeiro. O voo faria escala em Brasília, onde deveria ter chegado às 18h10. De acordo com a Infraero, o Controle de Voo da FAB (Força Aérea Brasileira) perdeu o contato com a aeronave às 16h48. Os destroços do avião foram encontrados no dia seguinte em uma área densa da floresta amazônica, na região norte do estado de Mato Grosso. (Band)

 











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