26.02.2011 | 12h36


CIDADES

Opinião: "Perde a liberdade de pensamento, uma batalhadora"

GABRIEL NOVIS NEVES

Não fiquei surpreso com a decisão da nossa Joana D´Arc - Adriana Vandoni. Ela já havia me confessado, há meses, o seu desencanto com o futuro do nosso país, que o jornalista registra.

Após longas férias, pegou carona na aposentadoria do Fenômeno e saiu de cena. Adriana é considerada por muitos a Martha Fenômeno do jornalismo político. A Martha a que me refiro é aquela jogadora de futebol feminino, eleita pela FIFA várias vezes a melhor jogadora do mundo.

Não confundir com a senadora botox de São Paulo, ex-sexóloga da Rede Globo. A saída repentina da proprietária fundadora de “prosaepolítica” me fez lembrar uma historinha muito contada em reunião com mais de uma pessoa.

Certa ocasião uma bem casada senhora, já no meio-dia da vida, ficou durante um mês longe do marido pela primeira vez. Seu esposo ganhou uma bolsa de estudos no exterior e, como era uma oportunidade única para aprimorar os seus conhecimentos, houve amplo entendimento prévio e ele partiu.

Ao retornar, a esposa notou que não havia sentido um pingo de saudade. O casamento já andava em banho-maria. Com a ausência congelou, sem nenhuma ajuda externa.

Ela deixou passar alguns dias e comunicou ao marido a sua decisão de por fim ao casamento. O marido, perplexo ao receber a notícia que nunca esperava, tentou uma última indagação:

“O que houve? Tenho condições de argumentar”?

Não, foi a seca resposta.

"Eu não senti saudades de você durante a sua ausência e a sua presença me incomoda. Resolvi cortar o mal pela raiz. Está tudo acabado".

Foi com outras palavras que a minha Adriana me contou o fim do seu relacionamento com o prosaepolítica.

Durante as férias não acessou a internet e ficou desligada de toda e qualquer notícia. No retorno, não sentiu a mínima falta do seu instrumento de trabalho.

Cansou de postar sempre as mesmas notícias onde só os personagens variavam. Escreveu uma carta de despedida aos seus leitores dizendo que não escreveria mais e que o prosaepolítica não mais lhe pertencia.

Perde a liberdade de pensamento, uma batalhadora. Perde o jornalismo um símbolo de resistência. Perdem os leitores uma referência. Em vez de muito obrigado, prefiro um até, Adriana.











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