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27.01.2011 | 09h14


CIDADES

Opinião: O crack e a Copa do Mundo

WILSON CARLOS FUÁ

Em 2014 Cuiabá entrará para a história do futebol mundial, milhões de pessoas no mundo inteiro estarão sintonizadas com a realização da Copa do Mundo, e fazendo uma analogia do Crack, nos dois sentidos, ambos estarão presentes na Copa, vários Crack's (jogadores de futebol) estarão dentro da Arena de Múltiplo Uso - Governador José Fragelli, e vários outros Crack's ( pequenas pedras), estarão em todas bocas de fumos nos bairros de Cuiabá.

Vamos lembrar-nos dos campinhos formadores de Crack de bola, que espalhavam por todos os bairros de Cuiabá, podemos citar alguns: Campinho da Av. Coronel Escolástico, Campinho da Rua São Benedito, Campinho da Mandioca, Campinho do Baú (Vila Isabel), Campinho do Bode, Campinho do Pico do Amor; em cada Campinho existia pelo menos um Crack, era aquele considerado o rei do pedaço; o arretado; o artista da bola; o moageiro; o dez do time; o "touceira".

Nas décadas de 60 e 70, era comum encontrar pelos bairros de Cuiabá, um campinho de futebol, e durante as tardes de sábado e domingo, eram realizados os "jogos de bola", era só quicar a bola que a gurizada aparecia de todos os cantos das ruas. Esses campinhos eram construídos pela gurizada que faziam parte dos times, cada um trazia as ferramentas das suas casas e a base de "muxirum", colocavam as traves (metas) feitas de madeira piúva cortada no mato, a Bola era comprada através de cotas, cada um dava o que podia, os componentes dos times, eram escolhidos através do "par ou impar", e aquele que ganhava ia escolhendo intercaladamente os jogadores presentes até completar os times, e aqueles que sobravam, ficavam aguardando um jogador cansar para ter a sua oportunidade para entrar no jogo, geralmente quem ficava de fora, era o perna de pau, era considerado muito ruim, ou ficava de fora ou virava goleiro.

Os campinhos de ruas forneciam os jogadores para as equipes amadoras e que posteriormente passava para os profissionais, os campinhos eram as escolinhas de futebol da época, e às vezes eram promovidos jogos da turma do Baú contra a turma do Areão, ou esta rua contra aquela outra mais próxima.

Como era bom viver em Cuiabá naquele tempo, aos Domingos era os mesmos componentes dos times de futebol, que promoviam as "Domingueiras Dançantes ou Matinês, ao som de Sonatas, com músicas da Jovem Guarda, ou dos conjuntos da época, Renato e seus Blue Caps; Leno e Lilian; Os Vips; The fivers; Os Milionários e The Beatles, onde era servido para almoço: cabeça de boi assada com vinagrete e mandioca cozida; ou arroz de forno com Sarapatel de miúdos de porco, e a bebida principal era o Ponche, (feito de vinho fervido com maça picotada); ou a Caipirosca feita de Pinga com Limão, e no lugar dos refrigentes, usava-se servir refresco feito de groselha ou limão, a palavra Droga não existia, ou era apenas um remédio, ou uma mulher feia; violência nem pensar, todos eram amigos de todos.

Hoje tudo isso não existe mais, hoje o Crack que reina nos bairros de Cuiabá, é a famosa pedra de droga que transforma a juventude cuiabana em geração perdida, jovens sujos e jogados pelas ruas como um corpo sem alma, andando de um lado para o outro sem rumo, promovendo violência e roubos para garantir o vício.

Mas quem é O Crack?
É uma mistura de cocaína em forma de pasta não refinada com bicarbonato de sódio, as vezes é usado gasolina para pegar fogo. Esta droga se apresenta na forma de pequenas pedras e pode ser até cinco vezes mais potentes do que a cocaína. O efeito do Crack começa imediatamente em dez segundo e acaba em média, dez minutos.

Sua principal forma de consumo é a inalação da fumaça produzida pela queima da pedra. É necessário o auxílio de algum objeto como um cachimbo para consumir a droga, muito desses feitos artesanalmente com o auxílio de latas, pequenas garrafas plásticas e canudos ou canetas.

Os primeiros efeitos do Crack são uma euforia plena que desaparece repentinamente depois de um curto espaço de tempo, sendo seguida por uma grande e profunda depressão. Por causa da rapidez do efeito, o usuário consome novas doses para voltar a sentir uma nova euforia e sair do estado depressivo.

Como é uma droga muito barata em relação a Cocaína, é consumida por todas as camadas sociais, principalmente pela de menor poder aquisitivo, pesquisas apontam que no Brasil atualmente tem 600.000 pessoas dependentes do Crack.

Hoje o Crack do futebol é coisa rara, e o Crack a pedra de droga está em abundância, infelizmente para a maioria das famílias desta cidade, não existe nenhuma perspectiva a curto prazo para que as famílias desta capital possa minorar seu sofrimento ao ver seus filhos queridos entregue ao Crack, não existe qualquer projeto para construção de um Centro de Recuperação de Dependente Químicos em Cuiabá, com recursos do governo estadual e federal, infelizmente, infelizmente.............

O melhor meio que existe para a formação das crianças são os exemplos a serem passado de pai para filho, o Anjo da Guarda de cada um é o exemplo a ser seguido, e infelizmente os melhores conselheiros estão nas ruas, existem bom exemplo a ser seguido e o mal a ser descartado. Os pais não estão presentes na formação de seus filhos, e quando estão passam péssimos exemplos, como:

Filho atenda ao telefone e diga que eu não estou; filho eu recebi o troco a maior e não devolvi, fui esperto;

Filho eu furei o sinal porque estou com muita pressa.

Hoje os filhos são produtos da formação mentirosa calcada nos exemplos vindo das suas próprias casas.

Nós cuiabanos ainda lembramo-nos daqueles conselhos simples, mas profundamente sentimental, que recebíamos dos nossos pais, como:
Filho não pegue nada do que não é seu;
Não converse com quem você não conheça;
Não aceite nada dos outros;
Seja educado e respeite aos mais velhos;
Vai com Deus, não demore e volte logo;
E, que Deus te abençoe.

WILSON CARLOS FUÁ é economista e Ouvidor Geral da SINFRA-MT

 











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