22.03.2011 | 10h10


CIDADES

OPINIÃO: A Agecopa e os projetos para o evento de 2014

LUCIANE BEZERRA      

Em meados de 2009 foi anunciada a escolha de Cuiabá como uma das sedes para a Copa de 2014 e logo em seguida O Governo do Estado de Mato Grosso, seguindo sugestão da própria FIFA e CBF, começou à gestacionar a criação da AGECOPA, para que esta tomasse as medidas necessárias para a preparação de Cuiabá para o evento.

Em uma primeira leitura a AGECOPA seria apenas uma planejadora das ações institucionais necessárias, para o cumprimento das metas estipuladas no Caderno de Encargo apresentado à FIFA, enquanto as estruturas tradicionais de governo, tanto estadual quanto municipal, seriam os braços operacionais na execução das obras propostas para o evento.

Mas com o tempo, verificou-se que a AGECOPA buscava na verdade se colocar também como um braço operacional finalístico, o que poderá em breve acarretar sérios problemas de relacionamentos institucionais e crises orçamentárias, principalmente gerando atritos com o próprio Governo do Estado. Este "apetite" de poder da AGECOPA talvez tenha acontecido pelo fato desta se imaginar mais eficiente e ágil, do que as estruturas tradicionais de Estado.

Vale salientar que, um evento como a Copa de 2014, traz grandes possibilidades de avanços para as cidades contempladas como sede, mas são possibilidades que precisam ser bem planejadas para a efetiva consolidação destes avanços esperados, notadamente na sua infraestrutura urbana, por exemplo, e que estes avanços tragam benefícios para a capital e para as suas gerações futuras.

Não podemos esquecer que o Aglomerado Urbano Cuiabá / Várzea Grande, independentemente do evento da Copa de 2014, já merecia uma atenção por parte do poder público, em caráter de urgência, em função do seu acelerado, impetuoso e desordenado crescimento. As duas "cidades siamesas" carecem de imediata ação de planejamento urbano consistente e único, ou seja, que olhe o todo do Aglomerado, fato este que infelizmente "amedrontou" alguns dos últimos gestores públicos do Estado e dos dois municípios, que acabaram fugindo do tema "espinhoso".

Entretanto, o que se tem visto não é nada disso. A AGECOPA, que em um primeiro momento perdeu quase um ano e meio com disputas internas culminando com a saída de seu presidente, agora, resolvido o problema da "guerra" interna, passa a demonstrar uma total falta de planejamento de suas ações e um descompasso com as reais necessidades do Aglomerado Urbano e com o restante do estado.

No caso do Aglomerado, a entidade se coloca em uma posição soberba, tentando vender para a população cuiabana e várzea-grandense o fato de que as obras do BRT (bus rapid transit) e das intervenções nas avenidas da FEB, Fernando Correa, Miguel Sutil, do CPA e Mário Andreazza, resolverão os problemas de transito do Aglomerado.

As obras do BRT proporcionam de fato ao Aglomerado um bom sistema de transporte coletivo, mas exclusivamente nas avenidas contempladas com o sistema, realmente de melhor qualidade do que o atual, mas que continuará infelizmente existindo.

O planejamento urbano moderno tem que estar atento a este fenômeno cultural do uso do automóvel e deve-se procurar criar sistemas não excludentes de transito. Temos sim, que ter no Aglomerado um eficiente, moderno e confortável sistema de transporte coletivo, mas também vias públicas para automóveis com o mesmo conforto, eficiência e modernidade.

Ao mesmo tempo, nenhuma ação de revitalização urbana nas demais ruas antigas e históricas das duas cidades foi pensada, um programa amplo de modernização e revitalização urbana seria imprescindível para comemorarmos os avanços sonhados para as duas cidades e relembrando ainda que Cuiabá fará 300 anos, em apenas cinco anos após a Copa, o que já seria um belo legado e uma justa homenagem, se estes investimentos fossem feitos da maneira correta.

Não se percebe por outro lado, alguma ação contundente por parte da AGECOPA de planejar de forma consistente, demais atos institucionais ou de obras físicas de melhoria na infra-estrutura dos produtos turísticos que poderiam ser incorporados como destinos aos visitantes trazidos para o evento. Não se discute também a questão de saneamento e conseqüentemente a não poluição do pantanal mato-grossense e não se discute a interiorização dos benefícios da COPA de 2014.

A interiorização dos recursos da Copa se faz necessário para que os investimentos em Saúde e Segurança não sejam momentâneos e direcionados apenas a capital. È preciso definir quais as políticas públicas que serão aplicadas para melhorar ou amenizar o caos da saúde e segurança em nosso estado.

O que se percebe na verdade, é uma sutil ameaça por parte da AGECOPA contra o próprio Governo do Estado, por mais e mais recursos, mas sem oferecer em troca ao próprio Governo um planejamento claro para a realização das obras já elencadas como prioritárias pela agência.

Apesar da Copa de 2014 de fato ser um evento importantíssimo para Mato Grosso, o Governo do Estado não tem, nem pode ter, a Copa como o seu único investimento. As demandas do Estado são enormes em todos os sentidos e sabemos que com um planejamento correto, pode-se mais com menos, ou seja, faz-se muito mais obras em todo o Estado e para a própria Copa com um aporte de recursos dentro do limite do aceitável.

Ainda há tempo de se corrigir estes desvios de rota, mas não muito. De concreto temos até o início dos eventos, somente 27 meses possíveis de se trabalhar com infraestrutura em nosso Estado, em razão dos períodos das chuvas. São 27 meses e que infelizmente percebe-se claramente, que até meados de maio ou junho de 2011, pelo ritmo atual de decisões da AGECOPA, não veremos um grande avanço sequer no início das obras prioritárias, elencadas pela agência.

O que se espera de fato é que a Copa de 2014 deixe para Mato Grosso o legado esperado, trazendo avanços em nossa infraestrutura urbana do Aglomerado Urbano Cuiabá / Várzea Grande e um aumento substantivo no turismo de nosso Estado. E investimentos em obras permanentes em saúde e segurança dignos de todos os mato-grossenses.

Luciane Bezerra é Deputada estadual pelo PSB.











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