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09.05.2011 | 12h45


CIDADES

Mato Grosso possui mais de 200 mil analfabetos

RAQUEL FERREIRA  09h40
GAZETA DIGITAL


A população de analfabetos em Mato Grosso é equivalente ao número de moradores das cidades de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá) e Juara (709 km ao médio-norte), restando ainda 3.671 pessoas para povoar um município de pequeno porte. No Estado, existem 231.938 homens e mulheres com mais de 15 anos que não sabem ler ou escrever um bilhete simples, representando 10,8% da população estadual.

A situação é considerada como uma grande tragédia humana, social e econômica pelos gestor governamental Edmar Augusto Vieira, da Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan). Ele destaca ainda que os dados contam a história do passado educacional do país, que não recebeu a devida atenção.

O baixo esforço empreendido na alfabetização dos adultos ao longo do tempo também é destacado pelo gestor como agravante no processo. "O Brasil escolheu lidar com o analfabetismo crônico esperando que ele morra de velho", ironiza Vieira sobre a falta de preocupação com a situação.

Como a falta de letramento é mais recorrente entre os mais velhos, ele brinca que é só esperar essas pessoas morrerem.

Dos 231.938 analfabetos de Mato Grosso, 22,1 mil têm entre 15 e 34 anos, 82,9 mil estão na faixa-etária dos 35 e 54 anos e 126,8 mil têm mais de 55 anos. (Confira o quadro)

O levantamento feito pelo gestor é baseado no estudo feito pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que mostra ainda outros 18,2 mil analfabetos na população de 7 a 14 anos, mas estes não são considerados estatística.

Vieira destaca que um dado chama atenção em Mato Grosso, 28,9% das pessoas consideradas analfabetas já frequentaram as escolas. Ele comenta que a frequência insuficiente, ou sem sucesso, além da regressão do aprendizado podem colaborar para o cenário. O gestor destaca que isso ocorre entre pessoas que concluíram menos de 4 anos escolares.

As consequências da falta de letramento são maiores para pessoas que estão em idade produtiva e vivem no meio urbano. "Já imaginou o que é viver no século 21 sem saber ler?"

Vieira explica que o reflexo imediato do analfabetismo são as más colocações no mercado de emprego, com poucas oportunidades de trabalho e ocupação de vagas em subempregos, consequentemente os baixos salários. Diminui a inclusão, a produtividade econômica e geram problemas sociais.

Embora o meio rural tenha maior percentual de analfabetos, com taxa de 18,3% da população do campo, o não saber ler e escrever termina tendo uma convivência melhor com a situação, uma vez que não tem ampla oferta de conteúdo. Neste ambiente há ainda mais resistência para absorver a importância do ensino.

Vieira explica que a zona rural tem 77.442 pessoas que não frequentaram as escolas, enquanto a zona urbana tem 154.496 mil moradores. Embora o número de analfabetos seja maior na cidade, Vieira comenta que proporcionalmente a situação é mais recorrente no campo.

 

 











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