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16.09.2011 | 20h59


CIDADES

Líderes de assentamentos denunciam descaso do governo

INARA FONSECA    16h43
DA REDAÇÃO

Os líderes das glebas Macife (Bom Jesus do Araguaia), 22 de abril (Pedra 90) e Liderança (Santo Antônio do Leverger) denunciaram em audiência na Assembleia Legislativa o descaso do poder público e a falta de estrutura em que as famílias assentadas vivem. Sem a regulamentação das terras, os assentados são obrigados a conviver sob ameaças de empresários do agronegócio e com a ausência de mantimentos básicos como a água.

O caso mais emblemático do abuso de poder e da escassez de políticas públicas que assegurem os assentados é o da gleba 22 de abril. Há seis anos, as 153 famílias que vivem na região do Pedra 90 lutam para permanecerem na terra. Apesar do Estado, através do Instituto de Terras de Mato Grosso (INTERMAT), ter reconhecido a área como terra devoluta (terreno público que nunca pertenceu a um dono particular), há 30 dias, cerca de 300 pessoas foram expulsas do assentamento pela polícia e estão vivendo marginalizadas. A área foi reintegrada a família do suposto dono do terreno Gabriel Müller.

"O Gabriel Müller é mais um grileiro. Já foi comprovado em documento que a terra é devoluta. Ele diz que é o dono, mas não tem um papel comprovando isso. Esse senhor esta impedindo o crescimento de Cuiabá e já tem mais de 20 fazendas", afirmou Marcos Baiano, presidente do bairro Pedra 90.

De acordo com Dirceu Moraes, representante do 22 de abril, estranhamente cerca de duas semanas após a expulsão das 153 famílias o desembargador José Ferreira Leite ocupou 250 hectares da área.

João Viana, representante da gleba Liderança, lamentou a deficiência das políticas governamentais de incentivo aos pequenos produtores. Adeptos da agricultura familiar, os assentados do Liderança têm dificuldade em manter sua principal fonte de renda: os hortifrutigranjeiros.

"É triste a realidade hoje em Mato Grosso e no Brasil, os pequenos produtores não são ninguém. Há meses reivindico um poço artesiano junto aos órgãos públicos e até hoje não fui nem atendido. É preciso melhorar a vida do povo, só queremos produzir nossos alimentos", afirmou desolado João Viana.

A falta de investimentos na produção de frutas e verduras não é exclusividade do assentamento Liderança. Apesar de ser considerado celeiro agrícola, Mato Grosso não possui nenhuma política pública de incentivo a agricultura familiar. Em 2010, o Estado produziu 6,5 milhões de hectares de soja; 2,5 milhões de sorgo e precisou importar verduras e frutas.

Pátria mãe gentil de filhos desamparados

Há aproximadamente 30 anos, Sebastião Lopes Pessoa e seu grupou andaram mais de 40km e passaram duas semanas dentro da mata para iniciarem, sem qualquer assistência, uma nova vida no Vale do Araguaia. Após enfrentaram malária, onças e uma série de dificuldades os posseiros dividiram a terra e começaram suas plantações.

Há quatro anos, um promotor de Justiça de Campo Grande localizou um foco de incêndio e embargou a área. "Como se não bastasse enfrentar a onça, a sucuri, a malária, os pistoleiros, em 2007 um promotor de justiça de Campo Grande localizou um incêndio naquela área, de madrugada, inviabilizou a área que foi embargada pelo IBAMA. É preciso regularizar a situação, atender as famílias q tão arduamente fizeram o progresso daquela região", disse Sebastião Lopes.

A regulamentação fundiária é fator de extrema importância na reforma agrária. Com a intensa concentração de terras, o número de conflitos no campo tem causado mortes em todo país, principalmente em um estado como Mato Grosso, onde o poder está nas mãos daqueles que têm fortes interesses ligados ao agronegócio.

 











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