02.06.2011 | 16h27


CIDADES

Ibama concede licença para Belo Monte e índios de MT podem resistir

INARA FONSECA  15h15
DA REDAÇÃO

A polêmica Usina de Belo Monte recebeu na quarta-feira à noite (01) licença de instalação do canteiro de obras da hidrelétrica, no estado do Pará. A licença foi concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que considerou cumpridas as etapas condicionantes para a emissão da autorização. Indignados com a resolução, lideranças indígenas do Xingu, em Mato Grosso, sinalizaram protesto.

De acordo com o caiapó Megaron Txcurramãe, amanhã o cacique caiapó Raoni Txucurramãe deverá se reunir com lideranças indígenas para responder oficialmente a decisão tomada pelo Ibama.

Megaron Txcurramãe explicou também que a construção não afetará diretamente Mato Grosso, mas que seis etnias indígenas serão desempossadas de suas terras. "Belo Monte não vai atingir muito nosso Estado, mas nossos irmãos em Altamira e São Félix do Xingu que moram ao longo da barragem sofrerão", disse.

O cacique ainda alertou para possível falta de transparência da Fundação Nacional do Índio (Funai). "Eu acredito que eles não comunicaram para os povos daquela terra a verdade. Dizem que outra terra será providenciada, mas não sei se estão falando a verdade".

Considerada uma das maiores obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), o Complexo de Belo Monte é hoje um dos carros chefes do governo de Dilma Rousseff. Apesar dos protestos a presidente tem trabalhado intensivamente para início das obras da Usina.

Belo Monte terá capacidade para gerar 11,233 mil megawatts (MW) e será a segunda maior hidrelétrica do Brasil, atrás apenas de Itaipu (14 mil MW), que é metade paraguaia. Várias construtoras, lideradas pela Andrade Gutierrez, são responsáveis pelas obras do empreendimento que deverá custar R$ 25 milhões.

Belo Monstro

A polêmica em torno da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte já dura mais de 20 anos. A usina é a única remanescente de um programa de cinco hidroelétricas planejadas na década de 70 para a Bacia do Rio Xingu (PA).

Além das populações indígenas, Belo Monte afeta a vida de ribeirinhos e camponeses que vivem naquela região. Recentemente, mais de 600 mil pessoas (no Brasil e no exterior) se organizaram, através da Avaaz (rede de ativistas para mobilização social global através da Interne) e do Movimento Xingu Vivo para Sempre, e entregaram petição para o Governo Federal contra a construção da hidrelétrica.

Em 2010, lideranças indígenas do Xingu paralisam a travessia da balsa do rio Xingu em protesto a construção da hidrelétrica. Em 2009, a balsa também foi paralisada durante 6 dias por movimento indígena liderado pelo cacique Raoni Metuktire.

 











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