09.03.2011 | 19h07


CIDADES

Como anda a sua capacidade de observação?

WILSON CARLOS FUÁ

A maior virtude do Ser chamado cuiabano seria ter a capacidade de observação e compreensão de todos os fragmentos que circulam em nossa querida Cuiabá, quando isso acontecer e passar a fazer parte das nossas vidas, esses acontecimentos ganharão a capacidade de interpretações para outros sentimentos que complementarão as nossas existências. O tempo é único, e ele está passando, passando lá fora e, é igual para todos, porém somente os dignos são capazes de absorvê-lo e entendê-lo.

O povo é chamado de quatro em quatro anos para eleger o administrador de Cuiabá, e com possibilidade de prorrogação de mais quatro anos, (às vezes até com renúncias), ou seja, o povo passa uma procuração para esse administrador ser o síndico desta cidade, depois da má escolha, só resta um caminho: pressionar e cobrar.

Antes mesmo de ser eleito ou mesmo depois de ser empossado, o Prefeito tem que incorporar o jeitão cuiabano de ser, porque esta é a cidade que ele dirige e esta é a cidade onde ele mora. As pessoas que nascem aqui têm o modo irreverente, debochado, é acolhedor e sabe receber bem a todos, gosta de dar gotosas gargalhadas, gosta de colocar apelidos, contar piadas e viver uma vida festiva, ( qualquer data é um motivo para mais uma comemoração), vocês que não são cuiabanos participem de uma festa cuiabana, lá vocês vão sentir como se tivesse em casa, com a recepção calorosa e serão recebidos como muito carinho. O cuiabano por excelência é um ser feliz e toda essa felicidade poderá ser contagiada, e de gargalhada em gargalhada, na sua chegada já será recebido com um apelido:

A - se o camarada é magro e pilado, logo tem o apelido de "defunto lavado";

B - se o indivíduo é dentuço, recebe o apelido de: "cavalo morto".

C - se é uma figura travestida de autoridade que tem os cabelos penteados todo para traz, (tão grudado que parece que usa "Brilhantina Lustrora"), usa roupa engomada, é muito esperto, muito desconfiado e tem um sorriso forçado, já recebe o apelido de:

"Vossa Excelência o Bagre Ensaboado".

Mas, vamos voltar falar sobre políticas públicas, será que a Secretaria de Cultura de Cuiabá, estrategicamente não sabe que em todos os anos em data certa, faça chuva ou faça sol, haverá Festa de Natal, Festa da Virada do Ano, Festa de Carnaval, Festival de Siriri e Cururu; Festa de São Benedito e Senhor Divino. Com um ano de antecedência, a Secretaria de Cultura já deveria planejar a festa seguinte, com base nos erros e custos. Com um ano para planejar os técnicos do município já deveria começar a projeção para uma festa melhor. Mas, aqui passa ano e vem ano, o que vemos é troca-troca de Secretários; e o Secretário de Plantão, já no mês da festa, vem a público dizer que a Prefeitura não tem recurso e mais uma vez não haverá festança ou a festança será pobre.

A Prefeitura deveria ter criatividade e buscar parcerias, tendo recurso privado caberá a Secretaria apenas dar suporte regencial e desenvolver grandes projetos, como exemplo: apresentar um projeto para festa de Natal, implantando nas avenidas principais de Cuiabá, iluminação e caracterização da festa com enfeites de natal; procurando Natalizar com iluminações e estilizando a fachada dos estabelecimentos, mostrando aos comerciantes o retorno financeiro com os movimentos de pessoas aumentam as compras e junto as grandes empresas buscar recursos a serem aplicados nos projetos de Natal, principalmente nos canteiros centrais e praças de Cuiabá (em troca de incentivos fiscais), este é apenas um simples exemplo.

Mas nem isso está sendo feito, imagine os projetos de suma importância para o dia-a-dia do povo cuiabano, como: abastecimento de água, coleta de lixo, escolas em péssimo estado de conservação, pronto socorro em estado deprimente, transporte urbano de péssima qualidade, tapa buracos (são resolvidos só depois de reclamações televisivas) e aterro sanitário projetado para o dia do nunca. São itens que deveriam ser solucionados, ou ter um cronograma para conclusão dos projetos ou previsão para soluções definitivas, são ações importantíssimas que deveria ser acompanhadas rigorosamente pelo próprio Prefeito, ( ou então, deveria até ser criada uma Secretaria Estratégica para desenterrar "cabeças de burros"), tudo isso funcionando bem é obrigação e o serviço municipal de boa qualidade representar a própria cara do município de Cuiabá.

Tinha um velho cuiabano que vendia peixe no Mercado do Porto, e por ter a visão já bem fraca, era enganado pelos compradores velhacos, mas ele percebia o truque, e já deixava os peixes mais baratos expostos para serem roubados (curimbatá, piauçu e saicanga) e não julgava, mas sim, pedia a Deus que lhes perdoassem, e dizia em suas orações, talvez eles não tenham dinheiro e estão precisando desses peixes para diminuir a fome de seus filhos.

E ao fim da sua oração ao final da sua vida, pediu perdão a Deus pela sua ações, e no dia derradeiro da sua passagem nesta terra cuiabana, em seu sonho espiritual, o Peixeiro do Mercado do Porto, ouviu uma voz de um Ser muito superior e que vinha como uma música, que lhe disse: "como posso julgar uma pessoa de espírito bondoso e que nunca julgou aos outros".

De fato, pode ser um erro julgar pessoas prematuramente, principalmente quando esse julgamento vira costume, tornando um hábito do nosso dia-a-dia.

Mas, obviamente a vida não é tão simples e a realidade é bem menos poética do que essa breve história imaginária do Velhinho do Mercado Porto.

Nós cuiabano, não podemos abrir mão de ter os olhos atentos quando certas ações e atitudes vêm potencialmente ferir nossa dignidade e direitos.

O cuiabano tem que exercitar o mínimo de noção de juízo e discernimento. O cuiabano no seu direito eleitoral calcado na democracia, não pode abrir mão de escolher bem os seus próprios governantes, e identificar coisas que vivem ferindo o povo e a humanidade como muito bem vemos diariamente.

O povo cuiabano é muito humildade na sua aparência, mas tem muito discernimento e é "digoreste" e sabe distinguir uma jóia real, de um simples "peschisbeque". Se formos agir como o tal Velhinho Peixeiro do Mercado do Porto, o mundo seria um caos mais o que já é, seríamos mais enganados do que já somos, e todos nós ao contrário seriamos julgados como um bando de coitados cabisbaixos.

Muitos políticos caíram no ostracismo, porque por cinismo acreditaram que existem mil maneiras de enganar o povo através da política ou qualquer outra coisa.

Eu afirmo que, só existem apenas dois modos: o certo e o errado. O certo é quando os objetivos maiores são alcançados, para o bem de todos.

O errado é quando alguns levam vantagem em relação a outros.

Mas, cabe ao povo também muita culpa, por não saber votar, e igualar aos políticos com procedimentos errados pela ação egoísta de levar vantagem durante a eleições (recebendo presentes como: dentaduras, óculos e materiais de construção) e ainda cabe ao povo também, a imputação de responsabilidade pela omissão em nada fazer e encontrar justificativas pela suas apatias, como: "Deixa estar como está, todos os políticos são assim, não podemos fazer nada".

Para lutar devemos conhecer aquilo que ignoramos. Na maioria das vezes nossas próprias almas. Fugir pode ser uma reflexão de desconhecimento. Uma reflexão do real é que durante grandes partes das nossas vidas não sabemos usar e obter o que queremos e principalmente onde desejamos chegar, isso é a realidade, por isso que a cidade está com " cara de tacho velho".

Devemos estar sempre preparados e atentos a tudo que se passa nesta cidade chamada Cuiabá, temos que eleger um cuiabano que tenha projetos de gerenciamento e acima de tudo que preste conta publicamente de cada centavo, que saiba elaborar o planejamento participativo (onde aplicar) e durante a realização do caixa (prestar contas publicamente informando onde foi aplicado corretamente o nosso suado dinheirinho), é possível?

Sim, pois os grandes desafios são as ferramentas que movem as grandes conquistas, cara de "foinha" e lamentações não vão resolver os problemas de Cuiabá.

Economista Wilson Carlos Fuá - É Especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos
Fale com o Cronista: fuacba@hotmail.com











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