12.11.2019 | 10h58


PROJETO IGREJINHA

Artista brasileiro radicado em Miami prepara intervenção artística em Cuiabá

Tiago está pela primeira vez a Cuiabá, atendendo convite de Sic Bartão, Museu de Arte Cristã Contemporânea, para uma agenda intensa envolvendo oficina de colagem



Quando criança, o artista Tiago Magro pincelava troncos e folhas de árvores no quintal, com as tintas que o avô, cujo ofício era pintor de casas, guardava. Cores inusitadas coloriam o seu universo lúdico. “Eu tinha uns quatro ou cinco anos, e lá estava com as latas de tinta, em Jundiaí, interior paulista onde nasci, pintando as árvores de azul, roxo, laranja. Minha mãe se preocupava porque uma criança estava pintando árvores com cores não convencionais. Já eu me identificava com a arte criativa”, contou ele.

Sem qualquer familiar artista, Tiago percorreu o caminho das artes construindo sua identidade em meio a tintas, colagens e intervenções. Nestas duas semanas, Tiago está pela primeira vez a Cuiabá, atendendo convite de Sic Bartão, Museu de Arte Cristã Contemporânea, para uma agenda intensa envolvendo oficina de colagem, bate-papo com artistas e especialmente a intervenção artística em uma pequena igreja localizada no Distrito da Guia, em Cuiabá.

Para a diretora de Sic, Aline Bortoli Ignácio, a vinda de Tiago é uma possibilidade de troca de sensibilidade, em que a maneira pela qual o artista intervém em cenas urbanas propicia experiências sensoriais, provoca reflexão. Por outro lado, ele se reunirá com diversos artistas locais para dialogar sobre arte. Aline conta que ela e a artista e também diretora de Sic, Angela Dall´astra, conheceram Tiago na feira internacional Art Basel, no ano passado, e se impressionaram pela contemporaneidade de suas pinceladas mescladas ao grafite e às colagens. “Além da beleza das obras, elas nos convidam à refletir.  Tiago é generoso, afeito ao compartilhamento de informações, com leveza de alma e uma profunda conexão com a sensibilidade”, pontua ela.

A partir de então, a conversa fluiu e nasceu a ideia de colorir um local que guardasse em sua essência a intenção da conexão com o divino. “Em uma conversa com a Márcia Roque, uma entusiasta das artes, e ciclista, descobrimos essa igrejinha construída em uma estrada de terra na região do Distrito da Guia, pois nos passeios de bike, aquela construção lhe chamara a atenção. Começava a segunda etapa, conseguir autorização do dono do imóvel para a intervenção”, acrescenta Aline. O contato com o dono da propriedade foi realizado e liberação imediata para Sic prosseguir com seu projeto. “Ao checarmos a agenda de Tiago, percebemos que ele estaria em São Paulo no mês de novembro, assim antecipamos a vinda dele e a igrejinha vai receber a arte de um artista que reflete a influência dos anos 80 e 90 em uma moderna paleta”, destaca Aline. 

Compromissado com o amor, em trazer mais amor para a humanidade, provocar reflexão a partir da sua arte, Tiago descreve sua arte como contemporânea, com influências da arte de rua, elementos de grafite, de colagem, pintura: “Tenho liberdade em pintar, me identifico com a arte de rua, contemporânea, gosto de arte americana, os artistas que admiro são Andy Warhol, Portinari, Kobra, Picasso, que me trouxe a curiosidade das cores, entre tantos outros. Criei um próprio estilo, aprendi sozinho na pintura diária nas ruas e no meu estúdio”. Para o artista, a arte é mais que ter influência, é um estilo de vida, vem da essência, da oportunidade que Deus propicia ao criá-lo. “A minha grande influência é Deus, que me criou e creio que Ele me deu essa chance de ser artista e a responsabilidade de mostrar o Dom de Deus”, pontuou.

Igrejinha – O projeto da intervenção artística é a primeira oportunidade de Tiago Magro pintar no Brasil nestes moldes. Ele está desde 1992 nos Estados Unidos.  Ele conta que certa manhã em seu estúdio, teve uma revelação de que iria pintar uma igreja abandonada. “Nós artistas somos sonhadores, comecei a procurar uma igreja assim nos Estados Unidos, e nesse meio tempo, conheci Sic Bartão, falei sobre o meu projeto e eles encontraram a igrejinha, estou muito feliz”.

Nesta semana, começa a intervenção e na próxima, o resultado será apresentado para a comunidade local, pois a ideia é justamente trazer para aqueles que ali estão, essa possibilidade de perceber a igreja viva, contemporânea, cotidiana e familiar.  











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