20.04.2011 | 09h30


CIDADES

Artigo do dia: Conclusões precipitadas

WILSON CARLOS FUÁ

Quantas vezes ao olhar uma pessoa pela primeira vez, e já julgamo-la simplesmente porque ela traz um pequeno defeito similar ao nosso ou uma virtude que nós gostaríamos de ter e não a temos. Muitos de nós temos mania de julgar e tirar conclusões precipitadas, mas ninguém é mais prejudicado nisso do que nós mesmo.

Esses julgamentos precipitados ocorrem muitas vezes quando o tema se refere à religião, onde quem tem sua crença não quer saber da opinião do outro e, ao contrário, tenta fazer você engolir a opinião dela, como se aquilo fosse lei, a sua religião fosse simplesmente a melhor entre todas.

Nas histórias da cultura popular de Cuiabá, conta uma passagem que no Bairro Areão existia uma velhinha que era muita intrometida e assanhada, bastava ver uma pessoa estranha e diferente que ela já ia apresentar-se e começava a especulação sobre o novo morador, e as perguntas sucediam:

O Senhor é Político?

Em resposta o estranho, informa-lhe com um não bem forte: "NÃO".

Alguns minutos depois, a velhinha tornava a insistir: "você parece muito com Político".
O estanho respondeu: "sou Jornalista".

Mais alguns minutos, e a velhinha voltava à carga: "você tem um jeitão de Político: sorriso fácil, cara lambida, cabelos penteados com "brilhantina", você tem tudo que um Político tem, sabia?

- Mas não precisa esconder. "Você é Político".

Cansado daquela conversa e para colocar um fim naquela situação, o Senhor estranho concordou: "está bem, chega! Para terminar esse assunto eu sou Político".

E, ao chegar onde ela queria, nesse instante a velhinha ficou muito acabrunhada e com um ar de tristeza, balançou a cabeça, e concluiu: "O senhor é totalmente diferente dos Políticos".

A maioria das pessoas ao ser apresentada, ao olhar de imediato tira a sua conclusão: Inicialmente analisa superficialmente a pessoa "eu acho esse camarada estranho, muito estranho"; e em segundo lugar força a barra, "o meu sangue não bateu com o dele"; e em terceiro lugar quer que a pessoa adapte a realidade dela, mas a pessoa para não causar má impressão , tenta ser agradável, descaracterizando toda a sua personalidade, ai vem o julgamento final: "Você não parece nada com aquilo que eu pensava que você era" .

Julgar a todos a todo o instante, certamente não percebemos que esse procedimento prejudica principalmente a nós mesmos, mas às vezes prejudicando um possível relacionamento ou mesmo encerra prematuramente uma amizade, é o que fazemos a todo instante; julgar levianamente sem dar o direitos de defesa, e muitas vezes sem ao menos perceber!

Quantas vezes tentamos adaptar as pessoas e as coisas da nossa realidade, e sem perceber estamos nos comprimindo-a ao um mundo limitado por nossos olhos! Tirar as conclusões precipitadas é um defeito da maioria dos seres humanos algumas vezes nem tão humanos assim!

Cada pessoa tem o seu segredo: delicioso ou mágico; alegre ou triste. Compartilhe-os sem medo, mesmo se ela não representa aquilo que você imagina! Nos capítulos da vida não há certezas, apenas tentativas. Tudo depende do que você decide neste exato instante. Dos relacionamentos pessoais que nos leva ao crescimento pessoal, trazendo experiências para melhorarmos como indivíduos.

Emoções, medo de gostar, medo de não dar certo, medo de aceitar desafios, tudo isso adoece psicologicamente o nosso viver!

Vale a pena deixar de aproveitar as oportunidades da vida, por puro medo? Pode acontecer de tentar e não dar certo? Sim, pois o futuro só a Deus pertence. Mas se realmente você quer, deseja com a sua alma e coração, arrisque! Não sinta culpa, pense em sua felicidade. Não importa a duração, e sim, a intensidade dos sentimentos. Prefira mil horas em um dia, do que um dia com 24 horas. Cada pessoa é um universo único e todas são desiguais em tudo.

Não se pode procurar a própria felicidade só nos outros, tem que achá-la dentro de si e compartilhá-la com o próximo. Essa é a verdadeira felicidade, a de dentro para fora e não a de fora para dentro.

Às vezes até mesmo em um lugar cheio de gente nos sentimos sozinhos. Às vezes para curar nossas magoas e medos só é necessário nos entregarmos a uma reflexão, e nos darmos um tempo em tudo para poder cuidar de nós mesmos. Acalmar seu próprio interior, eis o que o homem quase nunca faz para si. Seria algo novo cuidar-se de si mesmo, mas sempre lembrando que tanto as coisas que nos fazem felizes, quanto aquelas que nos deixam tristes, um dia acabam.

Então, seria útil pensar em algo como se fosse nossa única e última coisa para fazer: buscar a paz interior!

Economista Wilson Carlos Fuá - É Especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos
Fale com Autor: fuacba@hotmail.com

 











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