21.02.2011 | 22h50


CIDADES

ALL não tem "interesse" em trazer ferrovia até Cuiabá

ANDRÉ MICHELLS   10h00
DA REDAÇÃO

A América Latina Logística (ALL) S/A, não tem "interesse" em trazer a ferrovia para Cuiabá. A informação foi ratificada pelo presidente da empresa, Paulo Basílio, durante inauguração da "placa" que marca o início das obras do terminal intermodal em Itiquira, no sul do Estado.

"A nossa obra vai até Rondonópolis. Nosso direito de explorar é até lá apenas, dali pra frente é problema do governo federal", disse. Basílio ratificou a informação de que a intenção era chagar a Cuiabá, mas num longo prazo, porque não há viabilidade econômica para isso no momento, mas como o governo queria adiantar a obra, a empresa abriu mão do direito de explorar o trecho e passou para o governo.

"A empresa não tem interesse neste trecho entre Rondonópolis e Cuiabá e o governo federal é quem terá que fazer", salienta. O senador Blairo Maggi (PR) concorda que não há viabilidade econômica, já que a Capital não é uma região agrícola e sua produção industrial é muito pequena, mas disse que é preciso agora tomar decisões políticas e não econômicas.

"Que não é viável do ponto de vista econômico nós sempre soubemos, mas é viável politicamente, afinal trata-se da capital do estado", argumenta.

Maggi disse que o momento é de fazer pressão no governo Dilma para que a obra seja estendida até Cuiabá. BM citou uma empresa estatal especialista na construção de ferrovias, a Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A - que poderia assumir a expansão da ferrovia até Cuiabá.

"É preciso uma decisão política e é o que temos que lutar para que aconteça em Brasília. Blairo conclamou toda bancada federal de MT para encampar o projeto e dar sustentação política para que a obra saia do papel", afirmou.

O projeto da ferrovia nasceu em 1989, num esforço de desenvolvimento de grande parte da região Centro-Oeste, visando a integração de seus mercados à economia nacional e a racionalização do escoamento de sua produção, de acordo com o Ministério dos Transportes.

A ideia inicial era interligar Cuiabá (MT) com as malhas ferroviárias existentes no Triângulo Mineiro e São Paulo, alcançar Porto Velho (RO), onde começa a navegação do Rio Madeira, e Santarém (PA), onde se integra à navegação de longo curso pelo Rio Amazonas. Em Aparecida do Taboado (MS), interligar-se-á com a hidrovia Tietê-Paraná, servindo de alternativa para se atingir os principais mercados do Sul do País.

A obra abriria a possibilidade de escoamento da produção do Centro-Oeste pelos portos de Santos (SP) e Sepetiba (RJ). É um projeto de longo prazo, estritamente privado, não acarretando ônus para a União. Pelo menos essa era a ideia original.

A boa notícia é que o presidente previu a chegada dos trilhos a Rondonópolis em agosto de 2012. Já em agosto deste ano, segundo Basílio, o terminal de Itiquira já estará operando. Com a conclusão dos terminais de Itiquira e Rondonópolis a empresa estima transportar um volume anual de 10 milhões de toneladas de carga. Vale lembrar que a empresa já havia previsto os trilhos em Rondonópolis até o final de 2010.

 

 











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