01.08.2020 | 12h05


CIDADES / FISCALIZAÇÃO CONTRA COVID

Agentes da linha de frente enfrentam medo de serem contaminados

Entre 191 agentes de regulação e fiscalização da Secretaria de Ordem Pública, dois colegas já foram contaminados pelo novo coronavírus, sendo que um não resistiu



Atuando na linha de frente do combate ao coronavírus, tentando impedir que as pessoas sejam acometidas pela Covid-19 e precisem acessar um leito de hospital, os profissionais que atuam na Operação Integrada de Prevenção à Covid-19, da Secretaria Municipal de Ordem Pública – agentes de regulação e fiscalização, agentes de trânsito e policiais militares – enfrentam o medo de serem contaminados pelo vírus em prol da conscientização da comunidade, durante esta pandemia. 

“Ainda não acabou, não tem data. O coronavírus não tem prazo específico para se dissipar, ele está aí e existe a possibilidade de virar um vírus circulante, que não vai nos deixar durante um bom tempo. E nós estamos aqui na linha de frente. O medo, temos que deixar de lado, mas nos precaver: usar máscaras, fazer sempre a higienização dos equipamentos de trabalho, manter o máximo de distância e fazer o nosso melhor porque a cidade é de todos nós, nós também somos munícipes e estamos suscetíveis a toda situação”, afirma o agente de regulação e fiscalização, Edmaris Peierre, que tem quase 18 anos de experiência no cargo.

Peierre lembra que dentre 191 agentes de regulação e fiscalização da Secretaria de Ordem Pública, dois colegas já foram contaminados pelo novo coronavírus. “Infelizmente, a gente teve essa perda de um colega que tinha 28 anos de Prefeitura, já estava em vias de se aposentar e faleceu por conta da Covid-19. Ele foi o segundo fiscal que esteve doente. O primeiro, graça a Deus, se recuperou bem. O sentimento é de pesar porque ele era, como o pessoal diz, um fiscal ‘ponta firme’, que sempre estava atento, a equipe dele sempre foi bem disposta no trabalho e fica o sentimento de consternação”, lamenta. Atualmente, dos 191 fiscais da Ordem Pública, 45 estão trabalhando em regime de teletrabalho por serem do grupo de risco da Covid-19. 

Preocupado com o que avalia como “altíssima negligência” de parte da população, que ainda não adota as medidas de prevenção ao novo coronavírus, o sargento PM Claudiney destaca que as equipes de fiscalização tem buscado orientar e conscientizar essas pessoas, sempre de forma humanizada. Segundo ele, ainda há quem alegue desconhecer os decretos que determinam regras de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e espaços públicos, ao serem abordados. Ele pede à população que busque informações e outras formas de utilizar o tempo, sem aglomerações. “Ao invés de escutar conversa, é melhor você buscar uma leitura na questão que você escolher. E tenham consciência! A gente sabe que o momento é difícil. Não é difícil só pra um. Se fosse só pra um, era fácil resolver. É difícil pra todo mundo! Até pra gente que está na linha de frente”, afirma. 

O fiscal Edmaris Peierre destaca que ele e seus colegas nunca enfrentaram algo parecido. “Nós estamos numa situação sui generis. Nunca enfrentamos nada do tipo. A gente entende a situação dos empresários que têm os seus compromissos com seus funcionários, colaboradores, fornecedores. Então, no primeiro momento, a gente sempre tenta orientar, sempre tenta ser mais amigável no primeiro contato. No segundo momento, permanecendo uma não conformidade observada, a gente já usa os mecanismos previstos na legislação: notificação, auto de infração, depende muito da situação encontrada”, explica. 











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