26.06.2011 | 13h22


CIDADES

Acesso a margem e leito do Rio Cuiabá é privatizado

ALECY ALVES                09h01
DIÁRIO DE CUIABÁ

Nenhum pescador ou turista tem acesso gratuito ao leito do rio Cuiabá na área entre os municípios de Cuiabá e Santo Antonio de Leverger. As margens do rio que fornece água, peixe e estimula o turismo na Capital e em dezenas de outros municípios mato-grossenses foram privatizadas.

Os valores cobrados podem variar de R$ 7 a R$ 120 por algumas horas de pescaria sobre o barranco ou em tablados instalados no leito. Se o cidadão optar pelo desconforto e a possibilidade de fisgar menos e menores peixes, o barranco pode ser a opção e custa entre R$ 7 e R$ 10 por pessoa. Mas se espera uma aventura mais sofisticada na pescaria, não pagará menos de que R$ 100 pelo tablado flutuante de madeira que acomoda até três pessoas.

Em alguns pontos os tablados são tantos que impressionam. Isso acontece, por exemplo, no início da estrada da comunidade do Barranco Alto, passando pelo "Sítio da Vovó". Numa extensão de menos de dois quilômetros são mais de 50 estruturas de madeira flutuando no leito do rio, presas à margem. Seguindo rio abaixo, uns cinco quilômetros depois a situação se repete.

Essa privatização aconteceu de maneira relativamente lenta, porém sem qualquer ação pública para impedi-la. Mais ainda: aqueles que se intitulam proprietários, cercam e mantêm portões com cadeados bloqueando não se sentem responsáveis pela degradação, não importa se exploram comercialmente ou se a área do rio é usada para lazer privativo.

Uma equipe de reportagem do Diário percorreu mais de 20 quilômetros de estradas vicinais dentro do município de Santo Antônio de Leverger passando por várias comunidades, sítios, clubes e pesqueiros particulares. Conversou com pescadores amadores e profissionais, donos e funcionários de pesqueiros e moradores tradicionais ribeirinhos.

Verificou situações absurdas em diversos pontos nas áreas que margeiam o rio: do loteamento da margem entre os moradores das comunidades à ocupação por grandes e pequenos proprietários. Independente da distância da margem, todos se veem no direito de controlar um pedaço do rio.

Quem estiver planejando um passeio ou levar visitantes a uma comunidade ribeirinha, Barranco Alto (40 quilômetros de Cuiabá), por exemplo, é bom saber que terá de pagar para jogar o anzol. Se a expectativa é passar um dia tranquilo, almoçar e pescar com a família, leve mais dinheiro.

A comunidade é bonita, aconchegante, dispõe de bares e restaurantes e por lá é considerado natural cobrar pelo acesso ao rio. Cada morador tem um lote na margem, mesmo aqueles que moram mais distante do rio. O presidente da Associação de Moradores do Barranco Alto I, Maurindo Ferreira de Azevedo, diz que realmente é difícil ter um local público, sem cobrança de taxa, para acessar o rio.

Se os moradores ribeirinhos se sentem no direito de cobrar, o que dizer daqueles que compraram ou se apossaram de áreas às margens do rio? Há locais protegidos por cercas de arame farpado e até cães ferozes.

Em todos, mesmo as terras que têm a estrada como limite e ficam apenas de frente para a margem, os donos controlam o acesso ao rio. Alguns cercam a margem e fazem o controle à distância, enquanto outros demarcam "seu" território afixando placas numerando e sinalizando os caminhos para os tablados.

 

 

 











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