04.07.2011 | 19h01


CIDADES

15 mil índios são prejudicados em MT por omissão da Funasa

INARA FONSECA  17h
DA REDAÇÃO

Cerca de seis comunidades indígenas e 15 mil índios foram afetados pela falta de interesse público na questão em Mato Grosso. Os dados foram revelados pelo relatório sobre a "Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil em 2010", realizado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). A publicação ainda expôs que somente no ano de 2010, no Brasil, 92 crianças indígenas morreram por falta de cuidados médicos, 60 índios foram assassinados, 152 ameaçados de morte e mais de 42 mil sofreram pela falta de assistência à saúde e à educação.

Em Brasnorte, o povo Japuíra passou 25 dias bebendo água contaminada do córrego devido a bomba do poço de água que quebrou. Em decorrência do problema, um surto de diarreia foi constatado na comunidade. Na ocasião, a vigilância sanitária avisou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), mas nada foi feito. Ainda em Brasnorte, o povo Myky sofreu descaso da Funasa que não repassou medicamentos.

Em Barra do Garças e Campinápolis , a comunidade Xavante padeceu pela falta de atendimento médico devido a atraso no pagamento dos profissionais de saúde. Em Confresa, o povo Tapirapé também não recebeu tratamento médico tendo que se locomover até outra aldeia, distante mais de 10 km.

No relatório, Mato Grosso ainda ganha destaque no quesito invasões possessórias e exploração de recursos naturais. No estado, a exploração ilegal de madeira atinge cerca de 100 áreas indígenas e 20 unidades de conservação. Além disso, na tribo indígena Marãiwatsede foram identificadas 68 fazendas dentro de áreas indígenas.

Em abril, no momento em que as discussões sobre as mudanças no Código Florestal estavam em foco, o satélite Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), detectou um aumento anormal de derrubada nas florestas. No mesmo mês, Mato Grosso despontou como o estado onde ocorreu o maior desmatamento na Amazônia Legal.

Na região Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul aparece como responsável por mais da metade dos assassinatos de indígenas. As mortes são causadas por tiros, facadas e espancamentos. Segundo o relatório, os tiros são executados por agentes de segurança, incumbidos de desalojar comunidades.

O relatório apresenta o desrespeito à demarcação e a morosidade na regularização das terras indígenas, bem como a violação de seus direitos, como os principais motivos para as violências cometidas contra os povos.

Confira aqui o relatório na íntegra.

 











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