06.02.2019 | 09h26


ALIMENTAÇÃO

Você já ouviu falar em carbofobia? É o medo de comer carboidratos

As dietas low-carb transformaram os carboidratos em inimigos da alimentação saudável, mas consumi-los com moderação faz bem ao corpo



O sucesso – mesmo que temporário – das dietas low-carb ou de restrição calórica está dando espaço para um fenômeno denominado de carbofobia. É o medo excessivo de consumir carboidratos. Parece brincadeira, mas, de acordo com a nutricionista Luiza Midlej, da clínica Sanus Vitae em Brasília, isso tem acontecido com frequência. “As pessoas foram bombardeadas com muitas informações, algumas inverdades. Elas acabaram ficando muito confusas e hoje acreditam que o carboidrato é o vilão da alimentação”, explica.

É verdade que, consumidas em excesso, as fontes de carboidrato engordam e deixam a digestão mais letárgica, mas, ainda assim, são uma uma importante fonte de energia para o organismo. Os alimentos ricos em carboidratos são pães, cereais, arroz, tubérculos e todas as massas. No entanto, legumes e vegetais também têm carboidrato, bem como doces. “Existem diferentes tipos de carboidrato – o pão e o alface são, por exemplo. A diferença está na quantidade de fibra, complexidade da molécula, tempo de digestão, etc.”, comenta a nutricionista.

A psicóloga especializada em emagrecimento Tarsila Dantas explica que hoje em dia as pessoas têm a tendência de reduzir os alimentos a um único nutriente. Por exemplo, há quem acredite que a batata se resume a carboidrato. “Vejo pessoas no consultório com medo de comer arroz e feijão. As pessoas estão trocando alimentos naturais por industrializados sem nenhuma prescrição profissional, só porque na embalagem diz que é light”, pondera a profissional.

Estudo recente do Lancet Public Health analisou a associação entre a ingestão total de carboidratos e a mortalidade em mais de 15 mil adultos em quatro comunidades dos Estados Unidos durante 25 anos. Os resultados apontam que a ingestão moderada de carboidrato (entre 50 e 55% da dieta) foi associada a uma mortalidade inferior se comparada às dietas com muito carboidrato ou com restrição do mesmo. Os autores da publicação levaram em conta um conjunto de variáveis relevantes relacionadas à dieta e a práticas de estilo de vida e também avaliaram as fontes que forneciam os tais carboidratos.

O carboidrato deve ter função específica na rotina e objetivo de cada pessoa, segundo a nutricionista Luiza Midlej. No caso, por exemplo, de pacientes que queiram melhorar o desempenho esportivo, ele tem papel importante e precisa ser incluído na dieta. “Não sou contra dietas low-carb. Acredito que é uma estratégia que funciona em alguns casos para emagrecer, mas o carboidrato não é uma única coisa. Temos que saber onde encaixar, qual usar e em qual momento do dia”, pondera.











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