13.02.2018 | 07h55


ALIMENTAÇÃO

Óleo de peixe e de girassol podem prejudicar o fígado

O estresse oxidativo é definido como um desequilíbrio entre os radicais livres que são moléculas que podem danificar as células e a capacidade do corpo de "desoxidar" essas moléculas e prevenir efeitos nocivos.



Apesar de muito usados na culinária, alguns óleos também podem trazer prejuízos para a saúde quando ingeridos ao longo da vida. Uma nova pesquisa sugere que, em longo prazo, o consumo de óleo de peixe ou de girassol pode aumentar o risco de doença hepática gordurosa.

Ao estudar ratos, os especialistas descobriram que a ingestão de óleo de girassol ou óleo de peixe levou a mudanças no fígado que tornaram o órgão vulnerável à esteato-hepatite não alcoólica (NASH), uma forma mais grave de doença hepática gordurosa não alcoólica (NAFLD).

Os dois problemas são caracterizados pelo acúmulo de gordura no fígado, que gera inflamação e danos às células do órgão. A NASH aumenta o risco de cirrose hepática e câncer de fígado. Alguns dos principais fatores de risco para a condição são fortemente influenciados pela dieta, como sobrepeso e obesidade, hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes tipo 2.

O co-autor do estudo, José Luis Quiles, professor de fisiologia na Universidade de Granada (Espanha), e seus colegas relataram recentemente suas descobertas no The Journal of Nutritional  Biochemistry.

Azeite de oliva é melhor para um fígado saudável

Com base na ligação entre dieta e NASH, o novo estudo de Quiles e de seus colegas sugere que o tipo de óleo consumido pode desempenhar um papel no aumento do risco de doenças no futuro. Os pesquisadores chegaram a suas descobertas analisando os efeitos de diferentes gorduras alimentares, incluindo óleo de girassol, óleo de peixe e azeite virgem, sempre em fígados de ratos.

A ingestão de óleo de girassol ao longo da vida provocou nos ratos fibrose hepática e também alterou a estrutura do órgão, induzindo mudanças na expressão gênica e aumento da oxidação (que em excesso prejudica o organismo) nas células do fígado.

Os roedores que tiveram uma ingestão vitalícia de óleo de peixe demonstraram um aumento na oxidação celular relacionada à idade em seus fígados, e também experimentaram uma diminuição na atividade da cadeia de transporte de elétrons nas mitocôndrias --as "potências" da célula-- o que afeta a função celular.

A equipe de cientistas diz que esses achados indicam que o azeite de oliva virgem pode ser a melhor gordura para a vida futura do fígado. "Acreditamos que este estudo será muito útil na prevenção e tratamento de várias doenças hepáticas", ressaltou Quiles.

Entenda a pesquisa a fundo

O trabalho analisou a forma como a ingestão vitalícia de cada um dos óleos afetou a estrutura dos fígados dos roedores, bem como seus efeitos na expressão gênica, fibrose hepática (ou cicatrização), estresse oxidativo e o comprimento dos telômeros.

O estresse oxidativo é definido como um desequilíbrio entre os radicais livres que são moléculas que podem danificar as células e a capacidade do corpo de "desoxidar" essas moléculas e prevenir efeitos nocivos. Os telômeros são "tampões" no final de cada fio de DNA, que protegem nossos cromossomos. Quanto mais reduzidos os nossos telômeros, maior o dano às nossas células.

A pesquisa mostrou que uma redução no tamanho dos telômeros desempenha um papel fundamental no envelhecimento celular e doenças relacionadas à idade. Telômeros que são muito longos, no entanto, podem aumentar o risco de câncer. Além disso, a equipe analisou como o fígado evolui com a idade, resultado das diferentes gorduras alimentares consumidas.











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