11.06.2019 | 09h42


AVANÇO NA MEDICINA

Cientistas criam medicamento que evita metástase e reduz tumores

O inovador remédio, chamado MSC-1, foi testado com sucesso em cobaias animais.



Um grupo de 40 pacientes das cidades de Barcelona, Nova York e Toronto começou a testar um novo medicamento que evita que as células tumorais se expandam e causem metástase e que ativa o sistema autoimune para reduzir o tumor, de acordo com um estudo publicado nesta terça-feira pela revista "Nature Communications".

O novo fármaco, desenvolvido no hospital Vall d'Hebrón, em Barcelona, bloqueia a LIF, uma citoquina (proteína que regula a função das células que as produzem sobre outros tipos celulares) presente em muitos tumores, que promove a proliferação das células-tronco tumorais, além de desativar o alarme do sistema imunológico.

O inovador remédio, chamado MSC-1, foi testado com sucesso em cobaias animais.

O pesquisador que dirigiu o desenvolvimento deste novo fármaco, Joan Seoane, teve sucesso porque sua equipe foi a primeira a relacionar a LIF com o câncer e demonstrar que, se fosse bloqueada, seria possível eliminar as células-tronco tumorais prevenindo a reaparição dos tumores.

"Descobrimos que a LIF desativa o sistema de alarme para que as células não cheguem ao sistema imunológico, como se um ladrão desativasse o sistema de alarme de um banco para que a polícia não chegasse", explicou nesta terça-feira à Agência Efe o doutor Seoane.

Segundo o oncologista, "o fármaco gera uma resposta elevada que elimina completamente o tumor e gera uma 'memória imune', que significa que o sistema já está treinado para evitar recaídas".

No entanto, especificou que "ainda faltam vários anos até que este fármaco possa chegar a todos os pacientes porque estamos na primeira fase de teste clínico. Agora estudaremos a eficácia do fármaco e como pode ser combinado com outros".

O oncologista explicou, além disso, que este novo medicamento não é válido para todos os tipos de câncer, mas só para aqueles que expressam um alto nível de LIF, como os glioblastomas, o câncer de pâncreas, o de ovário, o de pulmão e o de próstata, que costumam ser os mais agressivos.

O remédio, que superou todas as fases pré-clínicas com sucesso, induz a infiltração das células T do sistema imunológico nos tumores para atacá-los e eliminá-los.

O primeiro teste clínico da fase I já começou com 40 pacientes que estão sendo tratados com inibidores de LIF no Hospital Vall d'Hebron (Barcelona), no Sloan Kettering (Nova York) e no Princess Margaret (Toronto)

A equipe liderada pelo doutor Seoane observou que a LIF inibe o gene CXCL9, que atua como um sinal para atrair as células T do sistema imunológico..

"Vimos que, ao bloquear a LIF em tumores com altos níveis de LIF, é reativada a ligação às células T, que chegam ao tumor para destrui-lo", detalhou o oncologista.

Seoane disse que sua equipe está "muito orgulhosa porque depois de entender onde estavam falhando, pudemos elaborar e desenvolver um fármaco que chegou a mais de 40 pacientes que já estão testando".

"Não há muitos casos de um remédio desenvolvido em Barcelona que chegue em nível de teste clínico internacional e em hospitais deste calibre, que são dos melhores do mundo", acrescentou.

Seoane, que agradeceu o financiamento do European Research Council (ERC) e o apoio da Associação Espanhola Contra o Câncer (AECC) e de outras instituições, afirmou que "a combinação da inibição de LIF junto com imunoterapia gera uma potente resposta antitumoral".

Após anos vendo a potencialidade da LIF como alvo terapêutico em modelos experimentais, Seoane fundou a Mosaic Biomedicals, uma empresa nascida para desenvolver e levar novos tratamentos oncológicos o mais rápido possível aos pacientes. EFE.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

Enquete

R$ 65 MILHÕES

Você é a favor ou contra o corte de Bolsonaro no orçamento da UFMT e IFMT?

Sim, só produzem baderna

Não, vai piorar o nível dos cursos

Sim, a maior parte do gasto é com altos salários de servidores

Não, deveria aumentar os investimentos

  • Parcial

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER