08.01.2019 | 09h48


BEM ESTAR

Abortos espontâneos também podem ser culpa dos espermatozoides

Cientistas do Imperial College averiguam que danos no DNA dessas células podem contribuir para uma interrupção involuntária da gravidez



Mesmo para as mulheres que sonham em ser mãe, a gravidez não é um período fácil. E, para algumas delas, esse sonho pode ser interrompido abruptamente: o aborto espontâneo nos três primeiros meses atinge de 15% a 20% das gestações. O desafio se torna ainda maior quando o quadro acontece até três vezes seguidas, gerando o que os médicos chamam de “aborto de repetição”.

O aborto espontâneo pontual é uma resposta do organismo a problemas com o feto. Defeitos genéticos que ocorrem por acaso (conforme o embrião se divide e cresce), por exemplo, são uma causa comum.

Mas, quando os abortos são reincidentes, os médicos logo vão para um caminho: investigar o corpo da mulher. Os testes geralmente procuram problemas no sistema imunológico — que pode estar rejeitando o novo organismo — ou infecções. Um estudo de cientistas do Imperial College de Londres, porém, aponta para uma outra possibilidade: defeitos no esperma do pai.

"Tradicionalmente, os médicos concentram a atenção nas mulheres quando procuram as causas do aborto recorrente. A saúde dos homens – e, mais importante, a saúde de seus espermatozoides – não são analisados​”, disse Channa Jayasena, principal autora do estudo.

Para investigar essa hipótese, a equipe testou 50 homens cujas parceiras sofreram abortos recorrentes — perda de três gestações consecutivas antes de 20 semanas de gravidez. Os cientistas analisaram seus espermatozoides e compararam os resultados com os de um grupo controle, composto por 60 voluntários. Todos eram pacientes do hospital St. Mary, em Londres.

Resultado: os espermatozoides de homens com parceiras que sofreram abortos sucessivos tinha o dobro de danos no DNA comparado ao grupo controle. E os cientistas notaram uma possível causa: o esperma do grupo dos abortos tinha 4 vezes mais uma espécie reativa de oxigênio. Essas moléculas são formadas naturalmente por células no sêmen para proteger os espermatozoides de bactérias e infecções. Mas, em concentrações bem altas, elas podem causar danos significativos aos gametas.

Agora, os cientistas estão investigando a causa desse aumento em alguns homens: “Embora nenhum dos homens do estudo tivesse qualquer infecção em curso, como a clamídia, que sabemos poder afetar a saúde do esperma, é possível que haja outras bactérias de infecções anteriores na próstata, que produz o sêmen. Isso pode levar a níveis permanentemente altos de espécies reativas de oxigênio”, disse Jayasena.

Apesar das perguntas que ficam para próximas pesquisas, o estudo alerta: para uma boa gestação, o ideal é que ambos os parceiros (e seus gametas) estejam saudáveis.











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