10.06.2019 | 15h08


MÁFIA DA APOSTA

Müller seria comandado por outro bicheiro e pode entregar chefão em delação

Delegado Flávio Stringueta afirmou que Frederico Müller atuava em Mato Grosso a mando de um bicheiro de outro Estado.


DA REDAÇÃO

O empresário Frederico Müller Coutinho pode entregar um “chefão” do jogo do bicho de fora de Mato Grosso, que de acordo com as investigações da Polícia Civil, comandava a organização liderada por ele no Estado.

Frederico foi preso após a Polícia Civil deflagrar a Operação Mantus, no dia 29 de maio. Ele é apontado como principal rival de João arcanjo Ribeiro e seu genro, Giovanni Zen Rodrigues. Até o momento, Müller nega as acusações de jogo do bicho, mas o titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado, delegado Flávio Stringueta afirma que a polícia tem provas concretas da ligação de bicheiros de Goiás e Rio de Janeiro com Müller e Arcanjo e avalia que a melhor saída seria uma delação premiada, para entregar quem o comandava.

“Tenho convicção que ele [Frederico Müller] trabalhava para alguém. Essa é nossa linha de investigação. É um outro bicheiro de fora. Se ele confessar e ainda fizer uma colaboração para cima, para pegar pessoas maiores do que ele, pode até responder todo processo em liberdade e nem ser apenado no final”, disse o delegado Flávio Stringueta.

A Polícia Civil acredita que as organizações FMC e Colibri estejam ligadas a bicheiros de outros estados pois até mesmo os resultados dos jogos vinham de sorteios feitos lá e apenas repassados para Mato Grosso.

Nesse sentido, Stringueta avalia que João Arcanjo Ribeiro não era comandado por nenhum outro bicheiro, mas era tido como uma espécie de representante, em Mato Grosso, das organizações investigadas dos estados do Rio de Janeiro e Goiás.

“Tenho convicção que ele trabalhava para alguém. Essa é nossa linha de investigação, um outro bicheiro de fora. Se ele confessar e ainda fizer uma colaboração para cima, para pegar pessoas maiores do que ele, pode até responder todo processo em liberdade e nem ser apenado no final”, disse o delegado Flávio Stringueta.

Apesar de Frederico negar seu envolvimento, a participação dele, como líder, foi apontada por outros presos.

RepórterMT

Flavio Stringueta (2).jpeg

Delegado Flávio Stringueta, da GCCO afirma que Müller era comandado por outro bicheiro.

Operação Mantus

A operação cumpriu 63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar. As investigações iniciaram em agosto de 2017, conseguindo descortinar duas organizações criminosas que comandam o jogo do bicho no Estado de Mato Grosso, e que movimentaram em um ano, apenas em contas bancárias, mais de R$ 20 milhões. Uma das organizações, conforme a polícia, é liderada por João Arcanjo Ribeiro e seu genro Giovanni Zem Rodrigues, já a outra é liderada por Frederico Muller Coutinho.

O comendador

João Arcanjo Ribeiro, conhecido como “comendador”, é acusado de liderar o crime organizado em Mato Grosso, nas décadas de 80 e 90, sendo o maior “bicheiro” do Estado, além de estar envolvido com a sonegação de milhares de Reais em impostos, entre outros crimes.

No ano de 2002, Arcanjo foi alvo da operação da Polícia Federal, Arca de Noé, em que teve o mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de contravenção penal, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e homicídio. A prisão do bicheiro foi cumprida em abril de 2003 no Uruguai. Arcanjo conseguiu a progressão de pena do regime fechado para o semiaberto em fevereiro de 2018, após 15 anos preso.

O comendador II

O empresário Frederico Müller Coutinho é um dos delatores da Operação Sodoma, que investigou fraudes que resultaram na prisão do ex-governador Silval Barbosa. Müller trocava cheques no esquema e chegou a passar dinheiro para o então braço direito do ex-governador. Os cheques teriam sido emitidos como parte de um suposto acordo de pagamento de propina ao grupo político do ex-governador.











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

Matéria(s) relacionada(s):

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER