14.06.2017 | 07h00


CHACINA EM COLNIZA

Líder de matadores se entrega e deve ser ouvido nos próximos dias

Moisés Ferreira de Souza, conhecido como “Sargento Moisés”, se entregou à Justiça no estado de Rondônia e deve ser ouvido nos próximos dias em Colniza, MT.


DA REDAÇÃO

A Justiça de Rondônia confirmou que Moisés Ferreira de Souza, ex-policial do militar da COE (Comando de Operações Especiais), apontado como líder dos executores da chacina que vitimou nove pessoas, no Distrito de Taquaruçú do Norte, município de Colniza (1.114 km a Noroeste de Cuiabá), se entregou à Justiça daquele Estado. Agora a Polícia Civil de Mato Grosso aguarda decisão judicial para colher o depoimento do acusado.

“Ele se entregou para o juiz no Fórum, em Rondônia. Não tenho nada dele ainda. Está instaurado um inquérito complementar e vou ouvir ele aqui na delegacia [Colniza]”, declarou o delegado.

O ex-policial, conhecido como “Sargento Moisés” ou “Moisés da COE”, deve ser transferido para Colniza, nos próximos dias, conforme afirmou o delegado Edson Pick, titular da delegacia da cidade, que ficou responsável pelo caso da chacina, ocorrida no dia 19 de abril.

“Ele se entregou para o juiz no Fórum, em Rondônia. Não tenho nada dele ainda. Está instaurado um inquérito complementar e vou ouvir ele aqui na delegacia [Colniza]”, declarou.

Ainda conforme o delegado, há novos fatos que despertaram interesse das investigações, mas que seguem em sigilo.

“Nós estamos investigando mais alguns acontecimentos, mas não posso falar para não prejudicar a informação”, ressaltou.

“Nós estamos investigando mais alguns acontecimentos, mas não posso falar para não prejudicar a informação”, ressaltou.

O ex-policial acusado de liderar a chacina se entregou no dia 31 de maio, mas como o caso corre em sefredo de Justiça, a informação só foi confirmada nesta terça-feira (13).

Matadores de aluguel

A Polícia ainda está à procura de Valdelir João de Souza, conhecido como “Polaco Marceneiro”, apontado como o mandante da chacina e Ronaldo Dalmoneck, o “Sula”, acusado de fazer parte do grupo dos “encapuzados”, matadores de aluguel, conhecidos na região como “guachebas”.

O “sargento Moisés”, juntamente com o “Sula”, Pedro Ramos Nogueira (vulgo “Doca”), Paulo Neves Nogueira teriam ido até a Linha 15 onde mataram, com requintes de crueldade, os nove trabalhadores. Paulo e Doca estão presos em Colniza.

A Justiça já recebeu a denúncia feita pelo MPE pelo crime de homicídio triplamente qualificado  (mediante pagamento, tortura e emboscada). No dia da chacina, Pedro, Paulo, Ronaldo e Moisés, a mando de Valdelir, foram até a Linha 15, munidos de armas de fogo e arma branca, onde executaram Francisco Chaves da Silva, Edson Alves Antunes, Izaul Brito dos Santos, Alto Aparecido Carlini, Sebastião Ferreira de Souza, Fábio Rodrigues dos Santos, Samuel Antonio da Cunha, Ezequias Satos de Oliveira e Valmir Rangel do Nascimento.

Reprodução

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Moisés Ferreira, Paulo Neves, Pedro Ramos e Ronaldo Dalmoneck são os integrantes do bando que cometeu a chacina a mando de Valdelir João de Souza, conhecido como “Polaco Marceneiro”. Ronaldo e Valdelir ainda estão foragidos.

 

O grupo de extermínio percorreu aproximadamente 9 km – praticamente toda a extensão da Linha 15 - onde foram matando, com requintes de crueldade, todos os que encontraram pelo caminho. “Os denunciados executaram as vítimas, em desígnios autônomos, de forma repentina e mediante surpresa, utilizando-se de crueldade, inclusive tortura, dificultando, de qualquer forma, a defesa dos ofendidos”, diz trecho da denúncia.

A motivação dos crimes seria a extração de recursos naturais da área. Com a morte das vítimas, a intenção do mandante seria “assustar” os moradores e expulsá-los das terras, para futuramente ocupá-las.

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