Cuiabá, 22 de Fevereiro de 2017

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17.02.2017 | 08h10
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POLÍCIA / ACUSADA DE TORTURA

Isenta de homicídio, tenente é interrogada na DHPP e 'foge' da imprensa

A militar acusada de ter torturado o aluno bombeiro Rodrigo Claro, que morreu após passar mal no treinamento, deixou a delegacia sem falar com a imprensa


DA REDAÇÃO

Reprodução

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A tenente Izadora Ledur deixou DHPP sem falar com a imprensa

Isenta de homícidio por inquérito militar, a tenente bombeiro, Izadora Ledur, que é acusada de torturar psicologicamente e fisicamente com sessões de afogamento o aluno soldado do Corpo de Bombeiros, Rodrigo Patrício Lima Claro, 21, que morreu no dia 15 de novembro, após participar de um treinamento aquático, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, prestou longo depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na tarde desta quinta-feira (16), na Capital.

“O inquérito está sob sigilo e nós não podemos comentar nada. A delegada Juliana nos pediu para que não comentasse nada sobre o inquérito e nós não temos que respeitar”, disse rapidamente o advogado da tenente.

A oficial foi ouvida pela delegada responsável pelo inquérito civil, Juliana Chiquito Palhares por mais de 4h30 e deixou o prédio pelos fundos da delegacia, acompanhada de seu advogado Huendel Rolim, sem trocar uma palavra com os jornalistas.

Agora, a delegada deve concluir o inquérito até o dia 24 de fevereiro e decidir se vai indiciar ou não a militar por tortura e omissão de socorro no treinamento que resultou na morte do aluno Rodrigo Claro, realizado no dia 10 de novembro. O depoimento começou por volta das 14h30 horas e terminou após as 19h.

“O inquérito está sob sigilo e nós não podemos comentar nada. A delegada Juliana nos pediu para que não comentasse nada sobre o inquérito e nós não temos que respeitar”, disse rapidamente Rolim.

No inquérito presidido pela Polícia Civil, todos os presentes no dia do treinamento foram ouvidos. Dentre eles, todos os alunos do 25º Curso de Formação de Soldados e os coordenadores, tenente coronel Licínio Ramalho Tavares e o também tenente coronel Marcelo Augusto Reveles.

"A tenente Ledur era abusiva com eles e cometia excessos. Ela perseguia os alunos e principalmente o soldado Rodrigo, pois este apresentava dificuldade nos treinamentos na água", diz trecho do inquérito militar.

O , tentou contato com a delegada que se limitou a dizer que não vai se manifestar sobre o teor dos esclarecimentos apontados pela tenente. No entanto, prometeu a esclarecer os fatos assim que o inquérito foi concluído possivelmente no inicio do mês de março.

Inquérito militar

A tenente prestou depoimento um dia após o Inquérito Policial Militar, realizado pelo Corpo de Bombeiros ter sido divulgado pela imprensa. O relatório finalizado no dia 2 de fevereiro e encaminhado à Corregedoria da corporação, isenta  Ledur de er cometido homicídio ou tentativa de homicídio.

No entanto, o relatório coordenado pelo coronel Alessandro Borges Ferreira, apontou que os militares Licínio, Marcelo e Izadora foram negligentes com a segurança por não disponibilizarem uma ambulância e equipamentos adequados para primeiros socorros no dia do treinamento.

Diante dos fatos, não só a tenente Ledur, mas como o tenente coronel Licínio e o tenente coronel Marcelo deverão responder a procedimento interno. O inquérito foi encaminhado para a Corregedoria do Corpo de Bombeiros que dever dar prosseguimento ao caso e as devidas punições aos acusados.

“Não há indícios de cometimento de homicídio ou de tentativa de homicídio contra o aluno a soldado Rodrigo Patrício Lima Claro durante a instrução de travessia na Lagoa Trevisan, no dia 10/11/2016”, diz o trecho documento.

Agora, os dados do inquérito militar e civil serão confrontados para que os investigadores cheguem a uma conclusão sobre o que realmente aconteceu na Lagoa Trevisan, no dia 10 de novembro.

Relembre o caso

A previsão era de que as atividades ocorressem durante toda a tarde do dia 10 de novembro, mas no meio do treinamento Rodrigo alegou que estava muito cansado e com dores de cabeça e pediu dispensa. Ele foi liberado e seguiu sozinho para a coordenação do curso.

O aluno foi levado para a Policlínica do Verdão pelo tenente coronel Licínio. Rodrigo apresentava vômitos e convulsões.

De acordo com o depoimento dos demais alunos do curso, "a tenente Ledur era abusiva com eles e cometia excessos. Ela perseguia os alunos e principalmente o soldado Rodrigo, pois este apresentava dificuldade nos treinamentos na água", diz trecho do inquérito.

Narra o relatório que o treinamento de salvamento era realizado em duplas, de modo a unir alunos com mais habilidade com outros que apresentavam dificuldade em trabalhos na água.

O parceiro de Rodrigo no treinamento, relatou que no dia a tenente afirmou que “iria pegar o aluno na lagoa” e que durante todo o percurso, de mais de 500 metros, tentava afogá-lo o afundando na lagoa.

A testemunha relata que em determinado ponto, a tenente submergiu a cabeça do soldado por várias vezes. O soldado M.S.S, também fez dupla com Claro e contou que a certa altura do percurso a tenente agarrou o soldado Claro pela cintura. A testemunha disse que ainda tentou nadar arrastando os dois e que durante a tentativa a tenente subiu em cima do soldado tentando afundá-lo.

Outras testemunhas contaram fatos semelhantes e que ao chegar à margem na lagoa, ele  estava com os lábios roxos, reclamando de fortes dores de cabeça e vomitando muita água.

 

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