14.09.2010 | 12h33


Em 24h, abastecimento d’água na mesma



JOANICE DE DEUS
Da Reportagem


Vinte e quatro horas depois do rompimento de duas adutoras, moradores de pelo menos 15 bairros de Cuiabá, que historicamente são castigados com a deficiência do abastecimento de água no período de seca, continuavam sem receber o líquido nas torneiras de suas residências.

“Imagine você enfrentando este calor de 40 graus, poeira, fumaça e ainda sem água. É uma situação de calamidade e ninguém faz nada”, protestou o vigilante Assis Gomes de Souza, 65 anos, morador do 1º Março.

Na madrugada de domingo, houve a ruptura de duas adutoras, uma delas entre a Estação de Tratamento de Água (ETA) Tijucal e o reservatório do Altos da Serra e, a outra, do Ribeirão do Lipa até o Bom Clima, região do Residencial Paiaguás. Ontem de madrugada, nova quebra voltou a acontecer em um dos pontos da tubulação a partir da ETA Tijucal.

De acordo com o diretor técnico da Sanecap, engenheiro civil Álvaro Luiz Gonçalves, ainda no domingo foram feitas as reparações necessárias nas canalizações que romperam. O mesmo seria feito até a tarde de ontem no novo rompimento surgido na adutora do Tijucal/Altos da Serra. “Como despressuriza a rede são necessários pelo menos 48 horas para o abastecimento voltar à normalidade”, informou.

Conforme Álvaro Gonçalves, os estouros foram provocados pelos constantes picos de energia, que podem provocar o fenômeno chamado “golpe de aríete”, que consiste na interrupção instantânea das bombas e, quando retorna, há uma violenta variação da pressão nas tubulações.

Além do transtorno, o rompimento das adutoras estendeu por mais dias o sofrimento das famílias do 1º de Março, como a de Assis de Souza, que para ter água para beber em casa coloca cerca de 30 garrafas pets em um carrinho de mão e anda cerca de 600 metros para buscar água no bairro Três Barras.

Lá, próximo da ponte que separa o bairro do CPA IV, há uma tubulação da rede de abastecimento, onde segundo ele, várias pessoas buscam água. “Vou lá dia sim, dia não. Hoje (ontem) mesmo era dia de ir buscar, mas não está chegando água”, comentou mostrando três caixas d’água que estavam no chão praticamente vazias.

Em outro ponto, máquinas da Sanecap abrem o asfalto para instalação de tubulações que irá levar o produto por todo o 1º de Março até a comunidade vizinha, o Jardim Aroeira. “Moça, faz uma semana que não temos água, só falta a gente virar camelo”, disse o responsável por uma mecânica localizada na avenida principal, mas que não quis se identificar. “Por falta de água, sábado eu não trabalhei, não ganhei um centavo. Se continuar desse jeito vou ficar sem água e sem pão para comer”.

PICOS DE ENERGIA – A Cemat se comprometeu em enviar uma nota sobre as quedas de energia que teriam provocado os estragos na rede de abastecimento, porém, até o fechamento desta edição, nenhuma resposta da empresa foi recebida pela reportagem.

 

 

 

 

Fonte: Diario de Cuiaba











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