14.09.2010 | 12h16


Araguaia: Fogo destrói maior parque de MT



Fernando Duarte
Da Redação

O Parque Estadual do Araguaia, o maior de Mato Grosso, perdeu 95% dos mais de 223 mil hectares em queimadas. Ele é quase 7 vezes maior que o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, que possui 32.630 hectares, e também passa por um período de fogo descontrolado. O principal motivo para a destruição do parque é a queimada indiscriminada promovida pelos proprietários rurais que ainda moram na região, mesmo ela sendo uma unidade de conservação.

Localizado no município de Novo Santo Antônio (1.063 km ao nordeste de Cuiabá), o parque faz divisa com São Félix do Araguaia (1,2 mil km ao nordeste da Capital), ambos municípios líderes em queimada no estado (veja matéria abaixo). De acordo com o gerente regional da unidade, Herson Souza Lima, o fogo alcançou esse nível de devastação porque o apoio chegou "tarde". "Se ele (combate) tivesse sido feito de uma vez, não haveria toda essa queimada".

Lima conta que vários focos surgiram ao mesmo tempo, o que dificultou o trabalho das equipes. Além disso, a brigada que estava atuando tinha que dividir os esforços em outras regiões que necessitavam de apoio. "Quando mandaram o avião, não havia combustível. O avião chegou em um domingo enquanto o combustível veio só na sexta-feira".

Além da vegetação (que inclui áreas úmidas e árvores centenárias), animais silvestres de pequeno porte e gado de algumas propriedades foram mortos pelo fogo. A longo prazo, os mamíferos que dependem de árvores frutíferas também sofrerão com a falta de alimento. "Havia muito material acumulado. Fazia 3 anos que não dava uma queimada na região".

Ele lembra que faltou um trabalho de prevenção aos incêndios e a criação de barreiras de contenção, de aceros no local. Esses procedimentos evitariam a forma como o fogo alastrou. Atualmente, ainda há alguns focos de queimada próximo às margens ao Rio das Mortes e Araguaia.

Famílias - Existem em torno de 30 propriedades rurais no Parque Estadual do Araguaia. "A unidade de conservação existe no papel. Na realidade, não há desapropriação das áreas". As famílias que ainda criam gado no parque não foram indenizadas ou tiveram outra medida de compensação. Na região, culturalmente a queimada é uma forma de "limpar" as áreas e renovar as pastagens.

 

 

 

 

Fonte: A Gazeta











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