26.02.2017 | 08h00


ARMAS COM DEFEITO

Zaque quer devolução de pistolas Taurus adquiridas pelo Governo

O promotor relata diversos casos de disparos acidentais com pistolas da marca e argumenta que não tem como saber qual o lote que deu defeito


DA REDAÇÃO

O promotor de Justiça Mauro Zaque transformou em inquérito civil público uma investigação sobre pistolas da marca Taurus adquiridas pelo Estado de Mato Grosso que disparam sozinhas e já causaram mortes e vários acidentes que geraram prejuízos para o Executivo. A ação pede o recolhimento das armas.

"Pelo menos 99 pessoas, em 19 estados e no Distrito Federal, se dizem vítimas de tiros disparados assim, sem ninguém apertar o gatilho", disse o promotor.

Zaque disse que não tem como saber qual lote de armas adquiridos por essa gestão ou por gestões anteriores apresentou defeito fatal, pois “praticamente todas as armas apresentaram algum tipo de defeito, seja de disparo acidental ou não, elas terão que ser recolhidas”, disse ao .

O inquérito solicita que as armas devolvidas passem por perícia.

“É norma: uma arma só deveria efetuar disparos com o acionamento normal do gatilho. Fora dessa condição, não deveria acontecer o disparo. Mas pelo menos 99 pessoas, em 19 estados e no Distrito Federal, se dizem vítimas de tiros disparados assim, sem ninguém apertar o gatilho. Nos últimos 13 anos, foram sete mortes. Os relatos são parecidos: a arma, sempre de uma mesma marca e de um mesmo modelo, disparou ao cair no chão. Ou, então, por causa de um movimento brusco”, diz sobre relatos de pessoas que já foram atingidas.

Há indícios de que no caso da morte do policial militar, ocorrido em agosto do ano passado no bairro CPA III, em que o suspeito acabou morrendo, os policiais portavam os armamentos com defeito.

O promotor solicita no inquérito que seja oficiado o Instituto de Criminalística do Distrito Federal requisitando cópia do laudo efetuado nas pistolas Taurus onde aponta eventuais falhas com relação ao disparo do referido armamento, no prazo de 20 (vinte) dias.  

Também que seja oficiado o Ministério Público em Brasília, solicitando que informe se existe algum procedimento investigativo relativo ao mau funcionamento no armamento da marca Taurus no âmbito do referido Ministério Público e em, caso positivo que informe qual é a Promotoria de Justiça competente e encaminhe documentação que entender pertinente.   

Na metade do ano de 2015, o governador Pedro Taques (PSDB) adquiriu 600 unidades de pistolas da marca Taurus, por meio da Secretaria de Segurança (Sesp), com dispensa de licitação, semiautomáticas, calibre ponto 40, modelo PT 840, que custaram R$ 2,6 milhões. A ideia era reforçar o armamento da Polícia Militar de MT.

Já no final do mesmo ano, o Governo publicou no Diário Oficial do Estado as aquisições de R$ 70.865 mil em pistolas e R$ 499.848 mil em munições, sem o processo de licitação, para a Secretaria de Segurança Pública.

Na época, a Sesp informou que a necessidade da Secretaria era adquirir armamento específico que apenas as empresas escolhidas, ‘Companhia Brasileira de Cartuchos’ e a ‘Forjas Taurus AS’, forneceram.

Leia mais:

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(1) COMENTÁRIOS

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Pensador  26.02.17 10h07
Boa Promotor. Todos os que treinam prática de tiros, no mesmo stand onde a PM exercitam já viram cenas pavorosas, grotescas (cano rompendo ou mesmo derretendo ferimento nos PMs, etc). A Polícia Federal vale-se de pistolas Glock, ainda que proibida a importação. Por que? Ora a arma é mais precisa e segura, então às favas a proibição. Não seria uma boa, o MPE e MPF buscarem a derrubada da imprtação para às Polícias Civil e Militar. Não é só processar e prender marginais, é preciso antes de tudo instrumentalizar adequadamente as forças dr segurança

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