14.07.2019 | 08h15


DEU NA GAZETA

Procurador admite que há 'monte de provas' em vídeo que PM acusa Gaeco

As declarações de Domingos Sávio contradizem o próprio despacho em que nega o acordo de delação ao militar cabo Gerson, garantindo que “o interessado apresentou apenas insinuações, conjecturas, não indicando nada de concreto”


A GAZETA

Coordenador do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco Criminal) procurador Domingos Sávio, afirmou que os fatos narrados pelo cabo da Polícia Militar Gerson Corrêa Júnior, são cheio de detalhes, minúcias e “com um monte de provas”.A declaração consta nos depoimentos prestados pelo PM, gravados em vídeo e que a reportagem teve acesso.

Durante os depoimentos em que Gerson buscava firmar um acordo de delação premiada junto ao Naco, Domingos Sávio aparece bastante convencido das informações colhidas, chegando a afirmar que não teria mais dúvidas sobre o esquema de interceptações telefônicas, em que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) manipulava áudios e vídeos em suas próprias operações.  

“Então não tenho nenhuma dúvida a esclarecer relativamente a esse fato. Não tenho nenhuma dúvida, a mim ficou bem claro isso”, afirma o coordenador do Naco durante o depoimento.   

As declarações de Domingos Sávio contradizem o próprio despacho em que nega o acordo de delação ao militar, garantindo que “o interessado apresentou apenas insinuações, conjecturas, não indicando nada de concreto”, alega em trecho do documento assinado no dia 5 de julho.    

O coordenador do Naco ainda destaca que o cabo Gerson não teria credibilidade e que estaria na iminência de ser condenado nas ações originadas pelo escândalo de escutas ilegais conhecido por “grampolândia pantaneira”.   

Chama a atenção a mudança de posicionamento de Domingos Sávio que, durante os depoimentos, aparece “empolgado” com as informações colhidas, como na própria gravação que a reportagem teve acesso via fonte ligada ao próprio Ministério Público de Mato Grosso (MP).   

Envolvimento de membros do MP   

Em seu depoimento, o cabo Gerson cita o envolvimento de membros do Ministério Público de Mato Grosso na prática ilegal chamada “barriga de aluguel” (veja mais nesta página) para ter acesso a conversas através de escutas telefônicas.   

Entre os envolvidos estariam o ex-coordenador do Gaeco, promotor Marco Aurélio de Castro, o promotor Samuel Frungilo e o ex-procurador-geral de Justiça Paulo Prado. 

Outros dois promotores foram citados nos depoimentos, mas por problemas no áudio não foi possível identificá-los.   

Outro lado   

Procurado pela reportagem o procurador Domingos Sávio alega que os depoimentos do cabo Gerson Corrêa Júnior não atendeu a inúmeras condições para que o acordo de colaboração fosse firmando.   

 

“É certo, entretanto, que o pretenso colaborador se entender que as razões apresentadas pelo membro do Ministério Público para indeferir o pedido de colaboração não se justificam e, porquanto, retratam um abuso, ele poderá recorrer ao Poder Judiciário, diz trecho da nota encaminhada pela assessoria do MPE.   

 

Na resposta ao jornal, o procurador esclarece que não irá discutir a sua decisão via imprensa. Questionado sobre as declarações durante os depoimentos, Domingos Sávio ressalta que não aceitará “qualquer provocação ou desafio para quebrar o meu dever de conservar o sigilo do procedimento de colaboração premiada. Não irei a público expor o conteúdo de qualquer procedimento dessa natureza”.   

 

A reportagem entrou em contato com a defesa do cabo Gerson, que afirmou não ter interesse de se manifestar sobre o mérito dos assuntos tratados perante o órgão, antes da audiência já designada, “por respeito, ao Juízo Militar e à Justiça de Mato Grosso”.  

Já em relação às declarações feitas pelo Ministério Público nos últimos dias, o advogado Neyman Monteiro argumentou através de nota enviada à redação ser “estranho” a forma como o MP vem tratando o assunto, “isso porque, a todo tempo que estivemos em tratativas, o representante do Naco se mostrou favorável e satisfeito com o material apresentado”.  

 

Monteiro ainda diz causar “repulsa” o fato do Ministério Público utilizar recursos públicos para criar uma campanha difamatória contra investigados e até contra o Poder Judiciário, no denominado caso dos grampos.  

 

“Por fim, a defesa, diversamente do representante Ministerial, que parece estar em franca campanha política - não sabemos a qual cargo, talvez de PGJ - não irá se manifestar sobre o depoimento”, finaliza a nota.

 

 











(2) COMENTÁRIOS

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MARIA TAQUARA  14.07.19 10h08
só é corporativista com esses mal feitos quem tem pecados similares

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Marcelo  14.07.19 10h07
Hummm, está muito estranho isso eihm, está parecendo que está havendo alguma coação ou chantagem contra o Promotor ae eihm, ou até mesmo algum cooperativismo, se a OAB junto com o Leo capataz aproveitar e bater duro agora, diante desta situação, com certeza vamos ter novidades ae em breve!!

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