10.06.2019 | 15h20


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Políticos ofereceram R$ 5 milhões por silêncio de agiota, diz Riva

A declaração consta em uma gravação do depoimento do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, ao Ministério Público Federal.


DA REDAÇÃO

O ex-deputado estadual José Geraldo Riva contou ao Ministério Público Federal (MPF) que um grupo, segundo ele, formado pelo conselheiro afastado Sérgio Ricardo, o ex-governador Silval Barbosa e um advogado do ex-secretário Eder Moraes - discutiram uma proposta para evitar que o empresário Gerson Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, delatasse um esquema de corrupção no Governo do Estado descoberto pela Operação Ararath.

O depoimento do ex-deputado consta em um áudio divulgado nesta segunda-feira (10), pelo site Gazeta Digital.

De acordo com a declaração de Riva, o grupo se reuniu em um apartamento da irmã de Sérgio Ricardo, localizado na Avenida Antártica, em Cuiabá, para tratar sobre as buscas e apreensões na casa de Júnior Mendonça, feitas pela Polícia Federal, na primeira fase da operação.

“Havia uma estratégia. Eles tinham pedido para o Blairo [Maggi] intervir para tentar ajudar. Naquela ocasião falaram que tinha que colocar R$ 5 milhões que era o que o Gerson Marcelino queria para não delatar”, detalhou.

“Havia uma estratégia. Eles tinham pedido para o Blairo [Maggi] intervir para tentar ajudar. Naquela ocasião falaram que tinha que colocar R$ 5 milhões que era o que o Gerson Marcelino queria para não delatar”, detalhou Riva.

No entanto, o ex-deputado deixa claro que o plano não foi efetivado por falta de interesse do ex-governador e ex-ministro Blairo Maggi (PP).

“Essa reunião acabou não tendo muito efeito porque quando foram atrás do Blairo ele disse: Cada um se vira com o seu”, relatou José Riva.

A primeira fase da Operação Ararath foi desencadeada pela Polícia Federal, em 2012, quando foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão, com o objetivo desbaratar uma quadrilha que usava factorings como empresas de fachada para lavagem de dinheiro. O principal alvo foi o empresário do Grupo Amazônia Petróleo, Júnior Mendonça, apontado como gerente do ‘esquema’.

“Essa reunião acabou não tendo muito efeito porque quando foram atrás do Blairo ele disse: Cada um se vira com o seu”, relatou José Riva.

A investigação teve início em 2011, com a finalidade de apurar a prática de crimes contra o sistema financeiro nacional (operação clandestina de instituição financeira) e lavagem de dinheiro.

O grupo investigado utilizava-se de empresas de factoring (fomento mercantil) como fachada para concessão de empréstimos a juros a diversas pessoas físicas e jurídicas no Estado, tendo como base operacional a empresa Globo Fomento Mercantil, em Várzea Grande, que movimentaram mais de R$ 500 milhões.

No ano de 2014, a PF deflagrou a quarta fase da operação, que culminou nas prisões de Riva e Eder Moraes. As investigações foram feitas com base na delação de Júnior Mendonça envolvendo vários políticos. Ele devolveu R$ 12 milhões à Justiça.

O apartamento do então governador Silval Barbosa também foi alvo de busca e apreensão e ele acabou detido por ilegal de armas. Até este ano, 15 fases da Ararath foram deflagradas.











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