07.05.2019 | 15h40


RÉUS DA SANGRIA

Huark e mais dois confessam esquema de R$ 5 milhões no São Benedito

Os três réus da Operação Sangria ganharam liberdade após as confissões porque a Justiça entendeu que eles colaboraram com informações e não havia mais motivos para os manter presos.


DA REDAÇÃO

O ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Correa e o médicos Fábio Liberali Weissheimer e Luciano Correia Ribeiro tiveram as prisões preventivas revogadas por confessarem esquema em um processo licitatório de R$ 5 milhões no Hospital São Benedito, em 2015. Os três foram alvos da Operação Sangria, que investiga fraude na saúde do Estado e do Município.

A informação consta na decisão da juíza Ana Cristina Silva Mendes, da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que analisa o caso.

À juíza, os réus confirmaram que o processo de licitação envolvia empresas que eram de propriedade deles, para execução de serviços especializados em Unidade de Terapia Intensiva, além de serviços de Medicina Intensiva com plantões em unidade de terapia intensiva de 12 horas e visita médica diária de quatro horas presencial no Hospital São Benedito.

Eles também confessaram o pagamento de propina a agente público com objetivo de facilitar a fraude no contrato. No entanto, os réus não revelaram o nome do servidor.

"Na oportunidade, com fito de demostrarem a conduta colaborativa, os embargantes confessam que durante a composição de preço no Termo de Referência da Licitação n 019/HSB/ECSP/SMS/15, do Hospital São Benedito, as empresas participantes eram todas de propriedades dos Embargantes e que no curso da execução do respectivo contrato administrativo houve o pagamento mensal de vantagem indevida a agente público, de modo que pretendem detalhar a forma de pagamento em favor de agentes públicos, não somente no contrato com o Hospital São Benedito, mas também em outras unidades hospitalares", destacou a magistral em sua decisão.

Os três são réus da Operação Sangria tiveram a liberdade concedida, na última sexta-feira (3), pela juíza Ana Cristina. A magistrada entendeu que não existiam mais razões para a manutenção das prisões, devido à postura colaborativa dos acusados.

Huark foi secretário de Saúde de Cuiabá na atual gestão do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). Assim que saíram as primeiras informações sobre o seu envolvimento no suposto esquema, ele foi exonerado do cargo.

Operação Sangria 

A investigação da Operação Sangria apura fraudes em licitação, organização criminosa e corrupção ativa e passiva, referente a condutas criminosas praticadas por médicos/administrador de empresa, funcionários públicos e outros, tendo como objeto lesão ao erário público, vinculados à Secretaria de Estado de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde, através de contratos celebrados com as empresas usadas pela organização, em especial, a Proclin e a Qualycare.

Segundo a apuração, a organização mantinha influência dentro da administração pública, no sentido de desclassificar concorrentes, para que ao final apenas empresas pertencente a eles (Proclin/Qualycare) possam atuar livremente no mercado.

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