17.07.2017 | 17h40


A GRANDE QUADRILHA

'Existia uma organização criminosa e eu comandava', confessa Silval

Silval Barbosa disse ter chefiado esquemas de desvios de dinheiro público e cobrança de propina a empresários para quitar dívidas acumuladas da eleição de 2010, quando disputou o Governo do Estado.


DA REPORTAGEM

O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) confessou ser o líder da organização criminosa, responsável por esquemas de corrupção e desvios milionários dos cofres públicos, durante o período em que comandou o Governo do Estado.

As revelações do peemedebista são dadas à  juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, nesta segunda-feira (17), a respeito da segunda fase da Operação Sodoma, que investiga o esquema de cobrança de propinas milionárias aos empresários Willians Mischur e Julio Tisuji, donos da Consignum e da Webtech, respectivamente, em troca da concessão e manutenção dos contratos destas empresas com o Estado.

Segundo o ex-governador, era ele quem determinava quais crimes seriam cometidos para obter vantagens ilícitas em contratos de empresas, a fim de quitar dívidas feitas durante a campanha para o Governo do Estado, em 2010.

“Eu liderava um processo para resolver os problemas que eu tinha. Eu era o líder e comandava [o esquema]”, destacou Silval Barbosa.

“Eu liderava um processo para resolver os problemas que eu tinha. Eu era o líder e comandava [o esquema]”, destacou Silval Barbosa.

No caso da Consignum, o peemedebista afirmou que também liderou o esquema. Ele convidou César Zílio para assumir a Secretaria de Administração do Estado, em 2011, quando o esquema teve início, para que operasse a cobrança de propina.

"Convidei ele para assumir a secretaria e, no início, havia muitas dívidas de campanha. Em todas as campanhas, principalmente majoritárias, existe o famoso caixa dois. Em uma campanha você gasta conforme o calor do momento e, na minha, ficou bastante dívida. Então chamei o César, ele era uma pessoa de bastante confiança, e pedi para ele ajudar a resolver essas dívidas", contou.

Ao total, da Consignum, Silval confessou ter recebido 30 parcelas de R$ 250 mil, alcançando o valor de R$ 7,5 milhões.

“Eu fui o chefe do esquema da Consignum porque eu determinei fizesse. Existia uma organização criminosa e eu liderei, doutora", disse Silval.

Ainda de acordo com o peemedebista, o dinheiro era entregue por Zílio em sua casa, na casa do ex-secretário e em uma sala no gabinete do ex-governador.

Leia mais:

Silval confessa que recebia R$ 250 mil em propina todo mês

 

Silval 'entrega' que o filho recebeu R$ 400 mil em propina

Riva queria R$ 2 milhões de propina de contrato do Estado para campanha ao Governo











COMENTÁRIOS

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do Repórter MT. Clique aqui para denunciar um comentário.

INFORME PUBLICITÁRIO

TV REPÓRTER