17.07.2017 | 08h20


ARAPONGAGEM

Desembargadores dizem que MPE tentou afastar relator dos 'grampos'

O Ministério Público argumentava ter a competência da apuração, uma vez existir o envolvimento de promotores de Justiça, segundo notícia-crime protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB/MT).


DA REDAÇÃO

Os desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Gilberto Giraldelli e Carlos Alberto da Rocha, apontaram a possibilidade do Ministério Público do Estado (MPE) tentar afastar a competência do relator da investigação das escutas clandestinas em Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, ao pedir o arquivamento do processo no Judiciário.

As declarações foram dadas durante a votação do pedido do MPE, que foi negado por unanimidade na quinta-feira (13) pelo Pleno do TJMT. O Ministério Público argumentava ter a competência da apuração, uma vez existir o envolvimento de promotores de Justiça, segundo notícia-crime protocolada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB/MT).

Para Gilberto Giraldelli, o pedido do MPE causou estranheza.

“É intrigante para mim a resistência do MPE no fato de o desembargador Orlando apurar isso aqui. No caso, está mais do que notório, público, já têm documentos, tem que ser investigado, não interessa quem. Um órgão que acusa e preside ao mesmo tempo eu acho que não é um bom negócio”, disse.

“Me parece bastante evidente, bastante claro, que o objetivo maior é afastá-lo [Perri] da condição de relator. Por que a partir do momento que Vossa Excelência comunicou o Procurador-geral de Justiça, não seria mais simples ele passar a investigar? Não há necessidade de abrir outro procedimento, pois ao final tudo será submetido ao Tribunal de Justiça.”, pontuou Giraldelli.

Já o desembargador Carlos Alberto, defendeu a manutenção das investigações sob a relatoria de Perri. Ele chegou a comentar que um órgão investigando seus jurisdicionados pode pôr em dúvida a idoneidade da apuração.

“É intrigante para mim a resistência do MPE no fato de o desembargador Orlando apurar isso aqui. No caso, está mais do que notório, público, já têm documentos, tem que ser investigado, não interessa quem. Um órgão que acusa e preside ao mesmo tempo eu acho que não é um bom negócio”, disse.

Na sessão de julgamento do pedido de arquivamento, o promotor de Justiça, Domingos Sávio, defendeu que a solicitação se dava apenas para evitar a duplicidade dos procedimentos nos dois órgãos, pois a investigação também está em curso no órgão.

“Compete à Procuradoria-Geral de Justiça apurar fatos atribuídos a membros do Ministério Público, que não hesitará em apurar, tomando todas as providências”, afirmou o promotor.

A notícia-crime da OAB foi protocolada depois da divulgação em nível nacional do esquema, chamado “barriga de aluguel”, operado pela Polícia Militar, que interceptou clandestinamente telefones de políticos, advogados, empresários e jornalistas, entre os anos de 2014 e 2015.

A denúncia foi feita pelo promotor de Justiça, Mauro Zaque, que ocupou, em 2015, o cargo de secretário de Segurança Pública do Estado.











(1) COMENTÁRIOS

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Jose  17.07.17 09h28
Pronto, agora o MPE querendo livrar a barra de alguém, é só o que faltava neste Estado. Desembargador Orlando Perri, parabéns pela atuação, torço para que apareçam mais pessoas de caráter e coragem como o senhor, que não recua diante de pressão ou chantagens, e que realmente passe a limpo este Estado que está uma vergonha total, com tantos mandos e desmandos a bel prazer. Agora é a hora doa a quem doer.

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