18.05.2019 | 09h30


VICENTE VUOLO

VLT: deboche com 280 vagões

Aqueles que agem em favor da paralisação são responsáveis por desvios

Se fôssemos dar uma denominação a essa situação de abandono do VLT Várzea Grande – Cuiabá, a palavra que mais se enquadraria é o “deboche”.

A maioria prefere debochar dos 7 anos de paralisação. Virou motivo de piada a compra de 280 vagões. A estação de passageiros ao lado do aeroporto Marechal Rondon, com cerca de 1 km de trilhos prontos, é ridicularizada. E fica nisso!

Como cuiabano e ex-vereador da capital mato-grossense, tenho o dever de cobrar do poder público uma solução o mais rápido possível para a conclusão da obra.

Em primeiro lugar, do governador do Estado, que se comprometeu em concluir o projeto já que é o responsável pela execução da obra. Isso, não tira a responsabilidade dos prefeitos de Cuiabá e Várzea Grande, já que essas cidades cederam o espaço físico para receber essa nova mobilidade de transporte. Muito menos, isenta, as câmaras municipais que têm a obrigação de fiscalizar e cobrar todas as obras do município, seja ela estadual ou federal.

Quando se fala em vereadores, gostaria de lembrá-los o papel que cada edil tem na cidade. Foi na cidade de Porto, em Portugal, há poucos anos, em 1998, que o Vereador Fernando Manoel dos Santos Gomes, da Câmara Municipal do Porto, idealizou e conseguiu a adjudicação da construção do metrô e do VLT da cidade. Para muitos portugueses, era um projeto utópico. A primeira linha com 11,8 km e 18 estações foi inaugurada em 7 de dezembro de 2002. Hoje, com pouco mais de 20 anos, a rede ferroviária eletrificada da cidade do Porto possui um total de 70 km de linhas comerciais duplicadas (VLT), maioritariamente à superfície, com 9,5 de metrô, para uma população de apenas 250 mil habitantes contra cerca de 1 milhão de pessoas somando Cuiabá e Várzea Grande.

E, por último, solicitar ao Ministério Público, que tome iniciativas judiciais, pois seu papel é proteger os princípios e interesses fundamentais da sociedade, funcionando como um verdadeiro fiscal do cumprimento das leis e da Constituição brasileira. É dever, portanto, ajuizar ações civis ou penais contra quem cometeu crimes contra o patrimônio público, contra o meio ambiente e contra a sofrida população cuiabana e várzea-grandenses, lesadas diariamente. Ajuizar, não significa, paralisar. Mas, sim, exigir a conclusão das obras com ética, transparência, ressarcindo ao erário os prejuízos causados à toda a sociedade.

É bom lembrar que todos aqueles que agem em favor da paralisação das obras são também responsáveis por desvios, já que estão contribuindo por jogar no lixo dinheiro que é essencial à sociedade, já que com a paralisação, as obras vão ficando mais caras, os equipamentos vão se deteriorando e se perdendo. É dinheiro que se esfarela.

Mas se as autoridades não agem motivadas pela responsabilidade institucional e ética, a sociedade civil deve se mobilizar para pressionar a conclusão imediata e, paralelamente, os responsáveis por eventuais desvios sejam punidos.

Cuiabá e Várzea Grande são cidades formadas por entidades responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento do Estado e da região. Entidades patronais e de trabalhadores, instituições econômicas e sociais que têm o dever de se pronunciar e representar os anseios de desenvolvimento de nossa gente.

O caso do VLT é emblemático. Sua finalização além de ajudar a melhorar a mobilidade local, poderá servir de estímulo para a mobilização da sociedade por uma série de ações em prol de uma cidade mais humana.

Várzea Grande e Cuiabá não podem servir mais de deboche. Vamos mobilizar pela conclusão das obras do VLT.

VICENTE VUOLO é economista e cientista político.

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