15.04.2019 | 08h54


ELIAS JANUÁRIO

Valorização da cultura material

Objetivo é entendimento da diversidade social e cultural dos diversos povos

Na cidade de Chapada dos Guimarães, como já mencionei em artigos anteriores, temos uma igreja dedicada a SantAna, que foi a mãe de Maria e consequentemente a avó de Jesus Cristo. Trata-se um prédio de beleza singular, tombado como patrimônio pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, sendo considerado por especialistas como uma igreja de características barroca. Em seu interior, existem inúmeros objetos que foram sendo adquiridos e utilizados nos ritos religiosos desde meados do século XVIII, e que ao longo do tempo formaram um acervo de significativa beleza e importância. Esses objetos começam agora a serem catalogados e higienizados de forma mais aprimorada, para que após feito o inventário, sejam tombados e colocados em exposição para a população da cidade e seus visitantes, no museu que existe nas dependências da igreja, a exemplo do que acontece em outras cidades do estado e do país.

É importante destacar que a cultura material produzida pelo ser humano, ou seja, os objetos de um determinado povo ou sociedade, podem ser o testemunho da vivência social e cultural, em um contexto específico, de um grupo de pessoas. Esses objetos guardam, em sua essência, dados e informações importantes para o entendimento da forma como estas comunidades viviam ou vivem.

É relativamente recente a valorização da cultura material como fonte de informação, e tem sido difundida nos museus por meio de exposições de cunho didático e científico, onde o objeto etnográfico passa a compor coleções etnográficas temáticas, constituindo-se em objeto documento porque passa a dizer algo sobre a cultura dos povos a que pertence, sobre a organização social e o período em que foi produzido e utilizado.

Como fonte de pesquisa e informação, a cultura material como um documento, um objeto de estudo, passa a ter uma importância fundamental na compreensão do processo histórico das diferentes sociedades, etnias e regiões, que produzem peças decorativas ou utilitárias. O objeto da cultura material passa a ser também uma porta de entrada para o entendimento da diversidade social, cultural e histórica dos diversos povos e comunidades existentes em nosso país.

O avanço da internet e das mídias sociais abriu um cenário importante para conhecer virtualmente exposições e museus que existem pelo mundo todo, aprimorando o conhecimento das pessoas e instigando a visita a esses espaços pessoalmente durante viagens e passeios.

O tombamento pela Unesco, da cultura material e imaterial como patrimônio da humanidade, tem sido considerada uma ação que tem contribuído como forma de preservar e valorizar as tradições seculares, bem como reconhecer o valor desse imenso acervo etnográfico existente nas comunidades tradicionais e nas cidades brasileiras.

O incentivo à criação e fomento dos museus que possuem coleções de cultura material, também é uma forma de valorização e transmissão do conhecimento existente nos objetos etnográficos, de maneira que os pesquisadores e a sociedade possam ter acesso a novas e instigantes informações, como está acontecendo com os objetos de arte sacra existentes na cidade de Chapada dos Guimarães, no Santuário de SantAna.

ELIAS JANUÁRIO é antropólogo, historiador e educador.

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