24.05.2019 | 07h55


RENATO GOMES NERY

Vale de lágrimas

Quem não tem trabalho precisa de um a ser conseguido a qualquer custo

Uma casa noturna que frequento tem em frente um estacionamento para clientes. Lá um senhor, já de idade avançada, é o responsável pelo serviço. Ele cuida de negócio próprio, com a ajuda da mulher, até perto do amanhecer, quando os últimos clientes vão embora. E nos finais de semana, ainda trabalha pela manhã, pois essa casa noturna fornece o almoço.

Ele me disse que antes não conseguia pagar as contas com os proventos da pequena aposentadoria. E que agora, apesar de ter que trabalhar a noite e durante o dia, nos finais de semanas, estava conseguindo “graças a Deus” manter-se com a sua família.

 
 
Em outra oportunidade, eu conheci uma professora, refugiada cubana que morava em Cuiabá e trabalhava de segunda a quarta-feira numa cidade do interior do Estado a 200 km; e de quinta-feira a sábado, em outra com a mesma distância, em outro local no interior do Estado.  Eu lhe disse que  a sua vida era difícil e penosa e ela com toda calma me respondeu: penoso e difícil é não ter trabalho! Eu fiquei desconsertado e sem palavras.

E me veio na memória a crescente alta da taxa desemprego desse País sem remissão. Quanta gente sem trabalho que aceita qualquer ocupação para sair de vida de privações. Quem não tem trabalho precisa de um a ser conseguido a qualquer custo. Difícil é passar necessidades e não ter como se manter e nem comprar o pão de cada dia.  

Por outro lado, tanta gente que  reclama de tudo sem ter a devida dimensão das provações do  mundo e de seus altos e baixos, e de seus inúmeros e cruéis percalços. E outros a quem nada falta, mas que se negam em reconhecer a existência de um mundo de necessidades e privações que agridem o senso cristão da vida em sociedade.

A palavra do filho de Deus é definitiva: “Sempre haverá pobres na terra. Portanto, eu lhe ordeno que abra o coração para o seu irmão israelita, tanto para o pobre como para o necessitado de sua terra”. (Deuteronômio 15:11).

Até quando a dor do outro não nos atingirá? Até quando uns terão tudo e outros nada? Até quando esse imenso e rico País continuará a ser um impiedoso padrasto?

O tema aqui abordado me é caro e já o mencionei em diversos artigos, mas sempre fico com a impressão que os ouvidos são moucos e que estou bradando no deserto. Resta-me apenas uma certeza: estou fazendo a minha parte e a dúvida  de que se isto fará alguma diferença!

P.S. – Fundo do Poço – Com as eleições de outubro/2018 parecia que iriamos sair do fundo do poço. Transcorridos mais de 120 dias do novo Governo, a impressão que se tem é que não chegamos ao fim de tal poço. Parece que muita água vai rolar até que isso aconteça. Portanto, haja fé e “pé na tábua”, pois o suplício ainda continuará por mais tempo. Entretanto, é preciso que cheguemos lá, pois somente depois do caos é que virar a ordem, como ensina um provérbio chinês sempre citado pelo jornalista Onofre Ribeiro. Ressalte-se, por fim, que não existe remédio para a falta de empatia e de sensibilidade, infelizmente! E contra a psicopatia não há remição! E este Brasil é, com certeza,  um vale de lágrimas! Até quando?

RENATO GOMES NERY é advogado em Cuiabá.

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