16.04.2018 | 08h35


ROBERTO DE BARROS FREIRE

Suicídios políticos

Em países decentes, essa velhas raposas já estariam banidas da vida pública

Tenho avistado vários suicídios políticos nos últimos tempos. O primeiro deles está no MDB ou PMDB, o que não muda nada nas ideias nem nas práticas políticas do mesmo.

Refiro-me à tola (para não dizer estúpida) ideia de lançar Michel Temer para a presidência; um homem sem capital político algum, sem aprovação popular, sem aliados ainda que cheio de cúmplices: creio que nem a família do próprio jogará seu voto fora depositando seu nome na urna.

Sem ideias, sem programa político, sem ter a confiança de quase ninguém, suas chances políticas não apenas são nulas, mas inapropriadas para o momento. Ao invés de tentar contribuir com o desenvolvimento político e social, saindo de cena para não nos envergonhar ainda mais, quer apenas tumultuar a arena política, e conseguir alguns “frutos”, tentando vender seu apoio, que, verdade seja dita, não vale nada.

O segundo suicídio, sem dúvida, está no PT, mais preocupado em salvar seu “líder” do que o país. Sem projeto político ou social, apenas tenta emplacar a ideia de “perseguição” política das “elites” (da qual faz parte, afinal, poucos de nós tem como apelar ao STF), que acredita que quer “impedir” sua eleição. E, pior ainda, tenta fazer uma narrativa que transforme uma prisão por crime comum numa prisão “política”, esperando que essa falsa percepção cole de alguma forma na mente das pessoas.

Assim, sem pensar em projetos políticos ou sociais, apenas fica alardeando seu falso sentimento de perseguição, tentando criar um apelo à piedade dos homens, na vã esperança de torná-lo elegível, o que vai contra lei da ficha limpa, que o próprio PT promulgou.

Mas, qual o projeto para reformar o país endividado por práticas políticas e econômicas feita pelo seu próprio partido? Que proposta tem para nação além da libertação do seu líder? O que pretende ver no futuro além da impunidade de Lula? Sobre isso há apenas um silêncio ensurdecedor.

O terceiro suicídio encontra-se na suposta esquerda (PSOL e PC do B), com apoio a Lula, ou tentando captar e transferir o prestígio político do líder bandido para esses partidos nanicos, que não possuem uma plataforma política sequer palatável, ou mesmo minimamente razoável.

Alardeiam palavras de ordem vazias de significado, e apoiando um criminoso condenado, não conseguirão nem ao menos manter a bancada pequena que possuem. O mais provável é desparecerem da esfera política e ficarem impedidos de pertencerem ao congresso, caso a clausula de barreiras venha a valer nas próximas eleições.

Sem um programa propositivo e apenas fazendo críticas rasteiras às supostas elites econômicas, seus discursos esgarçados tendem a só serem ouvidos pelos seus próprios seguidores, que são uma minoria insignificante.

O quarto suicídio político encontra-se no PSDB, cheio de suspeitos e indiciados na justiça em seus quadros, cujo candidato a presidente está sob investigação. Naturalmente, não ligam para a opinião pública e consideram que podem esbofetear a população com a defesa nefasta do suposto direito da presunção da inocência.

Naturalmente que tal princípio sempre se aplica ao cidadão comum, mas não ao político, que mais do que serem honesto, devem parecer honestos. Aécio não parece honesto, nem o Sr. Alckmin.

Em países decentes, tais figuras já estariam banidas da vida pública, mas essas velhas raposas acreditam que podem desfrutar da vida pública, mesmo não sendo, e menos ainda parecendo, honestos. Com certeza, é um tiro no próprio coração do partido, incapaz de lançar novos ou velhos nomes que desfrutem de alguma credibilidade diante da opinião pública.

O quinto suicídio político se encontra no próprio congresso, que incapaz de perceber os anseios políticos dos eleitores, recorrem aos velhos currais eleitorais para se manterem no poder.

Cada dia a mais, a desconfiança cresce, a esperança desaparece, até que, em algum momento, se alguém propor fechar o congresso e prender deputados e senadores, será aplaudido pela grande maioria da população, que cada vez mais considera que o congresso é de pouco valor para si, mas custa muito caro aos cofres públicos.

Ter ele fechado parece mais beneficiar a todos do que deixá-lo aberto torrando as verbas públicas para seus interesses pessoais e antissociais, e bem pouco republicanos: pelo menos será mais econômico a todos nós.

ROBERTO DE BARROS FREIRE é professor do Departamento de Filosofia da UFMT.

Os artigos assinados são de responsabilidade do autor, não apresentando, portanto, a opinião do site ReporterMT.











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