06.06.2019 | 08h37


GONÇALO ANTUNES

Ideias e ideais

Erros e acertos são analisados sob olhar crítico e apartidário

A construção e releitura da história universal é de suma importância para a Filosofia e para a cultura política dos povos. Erros e acertos são analisados sob olhar crítico e apartidário, além de se produzir material suficiente a encorajar mudanças paradigmáticas.

Para Kant, ‘Um ensaio filosófico que trate de construir a história universal com arranjo a um plano da natureza que tende à associação cidadã completa da espécie humana, não somente devemos considerar como possível, como é necessário também que o pensemos em seu efeito propulsor’ (Filosofia de la Historia, edição Mexicana).

 
 
Como deveria caminhar o mundo se atendesse a certas finalidades razoáveis? Isso soaria estranho? Como o Estado, considerando a própria manifestação de poder, resolveria a equação necessária de criação e submissão de regras?

Em livro escrito a várias mãos, tendo sido convidado pela juíza e escritora Amini Haddad Campos e a promotora e escritora Lindinalva Rodrigues Dalla Costa, afirmei que ‘a manifestação de poder, hoje, não emana só do Estado. A sociedade civil organizada influencia na tomada de decisões nos destinos de qualquer país.

As Ongs e movimentos sociais têm campo próprio de atuação e espaço suficiente para engendrar mecanismos de controle do poder estatal’...’A sociedade, mais vigilante que outrora, chamou a todos ao debate – ai daqueles despidos de conteúdo político para o flerte com o clamor por Justiça. Chegará tarde a seu tempo’ (Sistema de Justiça, Direitos Humanos e Violência no Âmbito Familiar, com a apresentação da Ministra Cármem Lúcia Antunes Rocha, editora Juruá, 2011).

É comum as manifestações de poder passar ao largo do senso comum, mas não da Filosofia e do Direito. O dever ser da história é tão importante quanto o ser. Para se entender a ‘práxis’ nada melhor que a teoria.

Enxergar a história da humanidade sob o viés crítico é abrir um campo necessário e producente à ressurreição e formalização de paradigmas. Não se vive sem eles. São o Norte que faz real o Estado e seus cidadãos.

E continua Kant (ob. cit.), ‘Porém se temos que suportar que a Natureza, ainda que no terreno da liberdade humana, não procede sem planejamento e meta, essa ideia poderia ser útil; e ainda que sejamos um pouco míopes para calar o mecanismo secreto de seu dispositivo, essa ideia deveria servir-nos, sem embargo, como elo condutor para representarmos como sistema, pelo menos em conjunto, o que, por outro modo, não é mais que um agregado sem plano algum de ações humanas’ (A ideia de se construir a história universal com arranjo a um plano da natureza que tende à associação cidadã completa da espécie humana).

Há muita lógica nisso, entendermos os nossos destinos a partir de paradigmas criados e recriados a partir da história humana, sem perder de vista a natureza de que somos revestidos, buscando equilibrar acontecimentos passados e novos ideais de conformação da vida em comunidade.

É por aí...

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz em Cuiabá.

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