25.04.2019 | 08h49


ALFREDO DA MOTA MENEZES

Hidrovia Paraguai-Paraná

É tempo de voltar a conversar sobre esse necessário meio de transporte

Com a perspectiva de que a ZPE em Cáceres possa mesmo sair do papel, não tem jeito de não trazer de volta a questão da Hidrovia Paraguai-Paraná. Uma coisa está ligada à outra.

Esta hidrovia foi o elo de MT com o Brasil e o mundo. Tem até um fato histórico maior com ela. A Guerra do Paraguai começou mesmo no momento que autoridades daquele país apreenderam o vapor Marquês de Olinda que trazia o novo governador de MT, engenheiro Frederico Campos. Tem outro Frederico Campos, em tempos mais recentes, que foi governador e é também engenheiro.

Partindo de Cáceres, a hidrovia percorre 3442 km até Nova Palmira no Uruguai. Passa em todos os países do Mercosul (Argentina, Paraguai e Uruguai), mais a Bolívia que é membro associado dessa integração econômica.

Uma ZPE tem que exportar a maior parte do que produz, o Mercosul pode ser um dos destinos. Aqueles países do Mercosul juntos (mais a Bolívia que também tem ligação na hidrovia) têm mais de 65 milhões de pessoas e um PIB acima de 800 bilhões de dólares. Se 20% dessa população tiver interesse nos produtos de agroindústria do estado já seria um mercado de mais de 13 milhões de possíveis compradores ou quatro vezes toda a população de MT.

A hidrovia sai no Atlântico e talvez dê para sonhar em levar produtos da agroindústria local para o litoral brasileiro também. Tudo por água, o meio de transporte mais barato que existe.

A Agência Nacional de Transporte Aquaviário com a Universidade do Paraná fez estudo que mostra a viabilidade técnica, econômica e ambiental (Evtea) da hidrovia. Hoje as barcaças podem ser adaptadas ao rio. A viaje é entre boias virtuais e até a noite, barcos não batem em barrancos.

Para que a hidrovia seja mesmo efetiva teria que ter um novo porto em Santo Antônio das Lendas. Lugar em que o rio Paraguai recebe afluentes, fica mais largo e profundo. Hoje se faz as dragagens nesse rio no trecho sinuoso entre aquele futuro porto e Cáceres. Nessa sinuosidade é que estão as pousadas e se faz o turismo na região. Com o porto lá embaixo não se teria mais barcos grandes cortando esse trecho.

É difícil um porto para transportar grãos em grandes quantidades, quem sabe a base seja de bens da agroindústria no estado. Receberíamos também produtos dos países do Mercosul. Por exemplo, trigo argentino poderia subir até Cáceres, moído ali e distribuído para MT, Rondônia, Acre e Pará.

Essa hidrovia funciona no Mato Grosso do Sul, cortando o Pantanal de lá. Por que não termos, como tem o MS, essa hidrovia funcionando? No MS se transporta hoje cerca de cinco milhões de toneladas, principalmente nos portos de Murtinho, Ladário e Corumbá. O de Murtinho está sendo aumentado. O de Cáceres é para somente 600 mil toneladas.

É tempo de voltar a conversar sobre esse importante e necessário meio de transporte para MT.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é analista político.

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